Uma moradora do interior paulista denuncia ter sido incluída em um consórcio de R$ 300 mil sem autorização. O caso é investigado e já foi levado ao Procon e à Justiça. A situação ocorre em meio a um aumento expressivo nas reclamações contra instituições financeiras no estado de São Paulo.
A consumidora afirma que só percebeu a cobrança ao consultar o extrato bancário pelo aplicativo. Segundo ela, parcelas de um consórcio passaram a ser descontadas sem que houvesse contratação formal reconhecida por ela.
Ao procurar o banco, a cliente diz que foi informada de que apenas os juros poderiam ser devolvidos de imediato e que o valor principal ficaria retido até eventual contemplação do consórcio, o que poderia levar anos. Diante da resposta, ela registrou reclamação no Procon e contratou uma advogada para entrar com ação judicial.
Além do impacto financeiro, a consumidora relata prejuízos emocionais e profissionais. Ela afirma que precisou faltar ao trabalho para reunir documentos e buscar atendimento, o que gerou desgaste psicológico e preocupação constante com a situação.
O caso não é isolado. Dados da Fundação Procon de São Paulo apontam que as reclamações contra bancos cresceram quase 30% de 2024 para 2025 no estado. Foram 38.312 registros em 2024 e 49.203 no ano passado.
As principais queixas envolvem cobranças indevidas, divergências no cálculo de juros ou saldo devedor e cobrança por produtos ou serviços não contratados. Segundo o órgão de defesa do consumidor, muitas demandas estão relacionadas a operações de crédito, especialmente crédito consignado.
O Procon orienta que os consumidores verifiquem regularmente extratos bancários, de benefícios e de cartões de crédito para identificar movimentações não reconhecidas. Em caso de cobrança indevida, a recomendação é procurar primeiro a instituição financeira e, se não houver solução, registrar reclamação nos órgãos de defesa do consumidor e buscar orientação jurídica.
O aumento das denúncias pode indicar tanto crescimento nas ocorrências quanto consumidores mais atentos aos próprios dados e às movimentações financeiras. Especialistas reforçam que a conferência frequente dos extratos se tornou uma medida essencial para evitar prejuízos prolongados.