As operações de fiscalização no trânsito realizadas em Campinas identificaram 670 condutas de risco durante o mês de fevereiro. As ações foram realizadas em conjunto pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Guarda Municipal e Polícia Militar.
Ao todo, foram 27 operações ao longo do mês, entre blitze convencionais e ações da chamada Operação pela Vida, que tem foco no combate ao consumo de álcool ao volante.
Durante as abordagens, quase dois mil veículos foram fiscalizados e os agentes aplicaram 670 autuações por diferentes irregularidades.
O dado que mais chama atenção novamente é a recusa ao teste do bafômetro, que aparece pelo segundo mês consecutivo como a infração mais registrada. Foram 86 motoristas que se recusaram a soprar o etilômetro, o equivalente a cerca de 13% de todas as infrações.
Ao todo, as equipes realizaram mais de 3.200 testes com bafômetro, e nenhum deles apontou resultado positivo.
Segundo a Emdec, as operações fazem parte de uma estratégia para ampliar a segurança viária na cidade. Para definir onde as blitze são realizadas, o órgão utiliza dados estatísticos de acidentes e ocorrências registradas em Campinas, concentrando as fiscalizações em pontos onde há maior incidência de sinistros envolvendo álcool e excesso de velocidade.
Mesmo sem resultados positivos nos testes, a quantidade de recusas indica que muitos motoristas preferem assumir a infração a correr o risco de serem flagrados no crime de trânsito.
Pela legislação, tanto dirigir sob efeito de álcool quanto recusar o teste do bafômetro são infrações gravíssimas, com multa de R$ 2.934,70, além de suspensão da carteira de habilitação por 12 meses. Se o teor alcoólico for igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar expelido, o motorista responde por crime de trânsito, com pena que pode chegar a três anos de prisão.
Casos chamaram atenção durante operações
Durante as fiscalizações, algumas situações chamaram atenção dos agentes.
Uma motocicleta abordada acumulava mais de R$ 223 mil em multas. Em outro caso, um carro tinha quase R$ 12 mil em débitos e ainda transportava carga excessiva, o que colocava outros motoristas em risco. Também foi abordado um motorista que prestava serviço por aplicativo com cerca de R$ 8 mil em penalidades pendentes.
Além da recusa ao bafômetro, entre as infrações mais registradas nas operações aparecem licenciamento irregular, pneu careca, problemas na iluminação dos veículos e escapamento irregular.
Álcool foi principal fator de risco em mortes no trânsito
Os dados reforçam a preocupação das autoridades de trânsito.
Em 2025, o álcool ao volante foi o principal fator associado às mortes no trânsito urbano de Campinas. Das 73 vítimas registradas, 43 casos foram analisados pela Emdec e 15 deles tinham relação com o consumo de álcool, o equivalente a 35% dos sinistros fatais analisados, índice superior ao do excesso de velocidade.
Diante desse cenário, a tendência é que as operações de fiscalização continuem e sejam ampliadas nos próximos meses.
Segundo a Emdec, o objetivo das ações é retirar das ruas veículos irregulares e impedir que motoristas sob efeito de álcool continuem dirigindo, reduzindo o risco de acidentes graves e mortes no trânsito.