Uma mulher procurada pela Justiça por suspeita de participação na tortura de três crianças foi detida nesta sexta-feira (13) por policiais do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) na Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), na altura de Mogi Mirim.
Aline Fonseca de Castilho, de 40 anos, era considerada foragida e é investigada por envolvimento em agressões contra três crianças em Campinas.
Segundo a Polícia Militar, equipes receberam uma denúncia informando que a mulher estaria deixando Campinas em direção à região de Mogi Mirim. Com base nas informações, os policiais localizaram o veículo na rodovia e realizaram a abordagem.
A suspeita estava no carro acompanhada de um advogado e não resistiu. Após a abordagem, ela foi levada para a delegacia de Mogi Mirim, onde a ocorrência foi registrada.
Versão da defesa
Em nota, a defesa de Aline afirmou que a cliente decidiu se entregar espontaneamente na manhã desta sexta-feira na delegacia de Mogi Mirim para garantir a própria integridade física.
Segundo o advogado, a situação teria sido comunicada previamente à magistrada responsável pelo processo.
O defensor também afirmou que assumiu o caso há cerca de dez dias e que os dois estavam indo até Mogi Mirim para realizar a apresentação da cliente às autoridades.
De acordo com ele, a escolha da cidade também levou em consideração a menor repercussão do caso fora de Campinas e a proximidade com a unidade prisional de Mogi Guaçu, para onde ela pode ser transferida.
Investigações sobre tortura
O caso envolve denúncias de tortura contra três crianças ao longo de vários anos.
Segundo as investigações, as agressões teriam ocorrido entre outubro de 2015 e julho de 2021. Na época das denúncias, as vítimas tinham 8, 10 e 13 anos.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, as crianças teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas, privação de alimentação, ameaças de morte e outros castigos considerados extremos.
As investigações também indicam que áudios e vídeos foram anexados ao processo, reforçando a suspeita de que as vítimas viviam em um ambiente constante de violência dentro da residência.
Um dos fatores que agravaram o caso, segundo os investigadores, é que uma das crianças tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte, é não verbal e teria dificuldades de se defender.
Contexto familiar
Ainda conforme as apurações, o cenário de violência teria começado após a mãe biológica das crianças sofrer um grave acidente de carro e precisar ser internada. Após a recuperação, o pai teria se recusado a devolver os filhos, segundo a investigação.
As apurações também indicam que a madrasta se apresentava nas redes sociais como mãe da criança com autismo, enquanto as crianças seriam obrigadas a chamá-la de mãe.
Pai já havia sido preso
O pai das crianças, Marcelo Melo Dias, também investigado no caso, foi preso no início de fevereiro na cidade de Araruama.
Segundo o Ministério Público, ele também é acusado de participar das agressões contra as crianças.
O caso corre em segredo de Justiça por envolver vítimas menores de idade.