Depois de quatro meses de espera, o silêncio nas margens do Rio Piracicaba deu lugar ao movimento de pescadores que aguardavam o fim da piracema. Com o encerramento do período de defeso, a pesca volta a ser permitida e marca o início de uma nova temporada tanto para quem vive da atividade quanto para quem tem no rio uma opção de lazer.
A expectativa é grande. Guias de pesca da região relatam que muitos clientes já deixam datas agendadas ainda no fim do ano para garantir os primeiros dias de pesca em março. O Rio Piracicaba atrai visitantes de diversas cidades da região e também da capital paulista e de municípios como Jundiaí.
O retorno da atividade ocorre em um contexto ainda sensível. Esta foi a segunda piracema desde a grande mortandade de peixes registrada em julho de 2024, considerada a maior tragédia ambiental da história do rio. Na ocasião, mais de 230 mil peixes, o equivalente a cerca de 50 toneladas, morreram após problemas na qualidade da água provocados por despejo irregular de dejetos.
A mortandade se estendeu por aproximadamente 70 quilômetros, segundo relatório da CETESB, e acendeu um alerta ambiental em toda a região, reforçando a necessidade de preservação e fiscalização.
Balanço da Operação Piracema
De acordo com a Polícia Ambiental, o balanço da Operação Piracema nas regiões de Piracicaba, Pirassununga, Americana, São João da Boa Vista e Rio Claro foi considerado positivo.
Durante o período de defeso, foram:
- 567 horas de navegação
- 771 pescadores abordados
- 70 autos de infração lavrados
- R$ 121.399,18 em multas aplicadas
- 1 pessoa presa
- 208 embarcações fiscalizadas e 3 apreendidas
- 406 quilos de pescado apreendidos
- 21 peixes vivos devolvidos ao rio
Também foram apreendidos motores, redes, carretilhas e outros petrechos de pesca irregulares. Ao todo, 76 estabelecimentos comerciais foram fiscalizados e 42 ações de educação ambiental realizadas.
Mesmo com o fim da piracema, a fiscalização continua. Neste domingo(01), equipes da Polícia Ambiental flagraram irregularidades em pontos proibidos, como trechos a menos de 200 metros acima ou abaixo de corredeiras e desembocaduras. Em alguns casos, pescadores fugiram ao perceber a aproximação das viaturas e deixaram materiais para trás.
Regras continuam valendo
Com a pesca liberada, seguem obrigatórias as regras previstas na legislação ambiental. Entre elas estão:
- Respeitar a distância mínima de 200 metros de corredeiras, cachoeiras, barragens e desembocaduras
- Observar o tamanho mínimo permitido para cada espécie
- Utilizar apenas equipamentos autorizados
- Respeitar a cota de captura
O descumprimento pode resultar em multa, apreensão de equipamentos e até prisão.
Para especialistas e frequentadores do rio, o momento é de retomada, mas também de responsabilidade. Após o impacto ambiental de 2024, o equilíbrio entre atividade econômica, lazer e preservação se tornou ainda mais essencial para garantir a recuperação do Rio Piracicaba e a sustentabilidade da pesca nos próximos anos.