O avião ultrapassou o ônibus e se tornou, pela primeira vez, o segundo meio de transporte mais usado em viagens pessoais no Brasil. Em 2024, 12,3% dos deslocamentos de lazer foram feitos por via aérea, contra 12% em ônibus. O carro segue na liderança, com 52,3% das viagens.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE. Segundo o instituto, a dimensão territorial do país e a busca por mais rapidez e segurança ajudam a explicar o avanço do transporte aéreo.
O movimento nacional aparece na prática em Campinas. O Aeroporto Internacional de Viracopos começou 2026 com o melhor mês de janeiro da história em número de passageiros. Foram mais de 1,16 milhão de embarques e desembarques no período.
O resultado supera o recorde anterior, registrado em janeiro de 2023, e representa um crescimento de 4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O desempenho acompanha um 2025 também histórico e reforça a tendência de alta no fluxo de passageiros ao longo deste ano.

O perfil de quem viaja também ajuda a entender essa mudança. De acordo com o IBGE, o uso do avião está diretamente ligado à renda. Entre famílias com renda per capita de quatro salários mínimos ou mais, 36,2% das viagens são feitas por via aérea.
A empresária Raíza Buchemann faz parte da estatística e conta que tem viajado mais de avião.
Já nas faixas de renda mais baixas, o ônibus ainda aparece como segunda opção. Entre quem ganha menos de meio salário mínimo por pessoa, ele responde por 25,2% dos deslocamentos.
Público consome experiências
Com mais passageiros voando, cresce também a busca por conforto e experiências durante a viagem. Esse movimento tem impulsionado investimentos dentro dos próprios aeroportos.
Em Viracopos, uma sala VIP passou por ampliação recente para atender essa demanda. O espaço ganhou novas áreas, assentos adicionais e passou a comportar até 245 passageiros ao mesmo tempo. O CEO do grupo, Bernardo Claro, destacou as oportunidades em meio ao crescimento do setor.

O ambiente oferece refeições ao longo do dia, áreas de descanso, espaços de trabalho, salas privativas para reuniões e serviço de bar.
A proposta é transformar o tempo de espera em parte da experiência de viagem, um reflexo direto do novo perfil do passageiro brasileiro.
