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Anvisa reforça controle sobre canetas emagrecedoras após avanço de mercado ilegal no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou um pacote de medidas para reforçar o controle sanitário de medicamentos injetáveis usados para emagrecimento, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A decisão ocorre

Anvisa reforça controle sobre canetas emagrecedoras após avanço de mercado ilegal no Brasil
Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou um pacote de medidas para reforçar o controle sanitário de medicamentos injetáveis usados para emagrecimento, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. A decisão ocorre em meio ao aumento da demanda por esses produtos no Brasil e ao avanço de irregularidades envolvendo importação de insumos, manipulação e comercialização clandestina.

Segundo a agência, o objetivo é reduzir riscos à saúde dos pacientes e ampliar a segurança no uso desses medicamentos, que têm sido cada vez mais procurados para perda de peso. Entre as ações previstas estão o aprimoramento das regras regulatórias, o reforço na fiscalização, a articulação com instituições nacionais e internacionais e a ampliação da comunicação com a população.

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A Anvisa também informou que pretende revisar as normas atuais e poderá suspender o funcionamento de estabelecimentos considerados de risco sanitário. Parte das medidas já começou a ser implementada, e a expectativa é que todo o pacote entre em vigor já no próximo mês.

Em coletiva de imprensa, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou que o aumento no consumo desses medicamentos exige uma resposta mais rigorosa do órgão regulador.

“De fato, há um aumento do consumo, há um aumento desse processo de manipulação aqui e em outros países do mundo. O que a gente está fazendo agora é dar toda a transparência possível e ampliar, em curto espaço de tempo, o processo regulatório desse segmento de mercado”, afirmou.

Alta demanda e crescimento da produção

De acordo com a Anvisa, o Brasil importou, nos últimos seis meses, mais de 130 quilos de insumos farmacêuticos ativos para a produção de tirzepatida, uma das principais substâncias utilizadas nas canetas emagrecedoras.

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Esse volume seria suficiente para a produção de cerca de 25 milhões de doses manipuladas no país. O número evidencia o crescimento acelerado desse mercado, impulsionado pela busca por tratamentos para emagrecimento.

Especialistas alertam que, apesar da eficácia comprovada de alguns desses medicamentos quando prescritos corretamente, o uso indiscriminado e fora das normas sanitárias pode trazer riscos importantes, como efeitos adversos, falta de controle de qualidade e até falsificação.

Avanço do mercado ilegal preocupa autoridades

Com a alta procura, também cresce o mercado paralelo desses produtos. Na região de Campinas, casos recentes chamaram a atenção das autoridades.

No fim de janeiro, um homem foi preso por comercializar medicamentos de forma ilegal, incluindo canetas emagrecedoras. Segundo a polícia, ele confessou que realizava as vendas irregulares desde 2024.

Em outro episódio, duas farmácias foram assaltadas no mês passado em Campinas. Os criminosos renderam clientes e funcionários e levaram os medicamentos. Na mesma madrugada, outro estabelecimento também foi alvo de roubo, com um funcionário sendo ameaçado por um homem armado.

Já em Santa Bárbara d’Oeste, duas pessoas foram presas suspeitas de vender produtos para emagrecimento sem registro sanitário. Em uma loja da cidade, a Polícia Civil encontrou grande quantidade de canetas e ampolas irregulares.

Mais recentemente, no dia 2 deste mês, três pessoas foram presas por contrabando em Campinas. Dentro de um carro, a Polícia Rodoviária localizou diversas mercadorias de origem clandestina, incluindo 134 ampolas de medicamentos usados nas canetas.

Risco à saúde e alerta ao consumidor

A Anvisa reforça que medicamentos desse tipo devem ser utilizados apenas com prescrição médica e adquiridos em estabelecimentos regularizados. Produtos sem registro ou de origem desconhecida podem não ter eficácia comprovada e representar sérios riscos à saúde.

Com o novo pacote de medidas, a expectativa do órgão é aumentar o controle sobre toda a cadeia desses medicamentos, desde a importação de insumos até a venda ao consumidor final, além de coibir práticas ilegais que têm se intensificado no país.

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