Campinas fechou fevereiro de 2026 com saldo positivo de 2.859 empregos com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged. Apesar do resultado positivo, o número representa uma queda significativa em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cidade criou 4.790 vagas formais.
A comparação direta mostra uma desaceleração de cerca de 40% na geração de empregos, indicando perda de fôlego da atividade econômica no município neste início de ano.
Setor de serviços lidera geração de empregos
O desempenho de fevereiro foi puxado principalmente pelo setor de serviços, responsável por 2.571 novos postos de trabalho, o equivalente a quase 90% das vagas criadas no período.
Na sequência aparecem:
- Comércio: 194 vagas
- Indústria: 33 vagas
- Agropecuária: 31 vagas
- Construção civil: 30 vagas
Apesar do saldo positivo, todos os setores apresentaram desempenho inferior ao registrado em fevereiro de 2025.
Construção civil e comércio puxam desaceleração
A construção civil teve uma das quedas mais expressivas. Em fevereiro do ano passado, o setor havia criado 674 vagas, contra apenas 30 neste ano, praticamente uma estagnação.
O comércio também perdeu força, passando de 872 empregos gerados em fevereiro de 2025 para menos de 200 em 2026.
Primeiro bimestre confirma perda de ritmo
No acumulado de janeiro e fevereiro, Campinas soma 3.307 empregos formais em 2026. No mesmo período de 2025, foram 5.564 vagas criadas.
Os dados reforçam a desaceleração do mercado de trabalho formal na cidade. Em janeiro, o cenário já indicava fragilidade, com fechamento de vagas no comércio e desempenho mais moderado do setor de serviços.
Cenário econômico explica desempenho
Para a economista Eliane Rosandiz, o resultado reflete um ambiente econômico mais complexo e incerto, influenciado por fatores locais e internacionais.
“Então é um cenário complexo né mas é pouco surpreendente diante de tanta empresa que a gente vem observando na economia, seja na economia local, né? Seja na economia internacional.”
Segundo a especialista, parte do crescimento em fevereiro é explicada por fatores sazonais, principalmente no setor de serviços, com contratações ligadas à área de educação, que tendem a não se repetir nos meses seguintes.
Ela também alerta para o comportamento da construção civil:
“O grande problema é quando essas obras se fecharem, né? Que aí a gente vai ter uma queda provavelmente forte no emprego puxado pelo setor.”
Juros altos e incertezas impactam mercado
Entre os fatores que ajudam a explicar a desaceleração estão:
- Taxas de juros elevadas
- Redução de investimentos privados
- Menor número de lançamentos imobiliários
- Endividamento das famílias
- Pressões inflacionárias
Esses elementos afetam diretamente setores como comércio, indústria e construção civil, reduzindo o ritmo de contratações.
Cenário é de cautela, não de crise
Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho em Campinas segue gerando empregos. O cenário atual é considerado de cautela, com maior dependência do setor de serviços e menor dinamismo em áreas estratégicas da economia.
A expectativa agora é para os próximos meses, especialmente março, que devem indicar se a desaceleração será mantida ao longo de 2026.