O custo da cesta básica em Campinas voltou a subir com força em março e pressiona o orçamento das famílias. Segundo levantamento do Observatório da PUC-Campinas, o valor registrou alta de 7,1% no mês, uma das maiores variações recentes.
Atualmente, a cesta básica na cidade custa R$ 831,77. Para cobrir despesas essenciais, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 2.495,31. Isso significa que cerca de 51% da renda de quem recebe um salário mínimo é comprometida apenas com alimentação básica.
Tomate lidera alta e puxa preços dos alimentos
O principal destaque da alta foi o tomate, que registrou aumento de 34% em março. Outros itens fundamentais da alimentação do brasileiro também subiram, como carne, leite e feijão, ampliando o impacto no bolso do consumidor.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda, como arroz, café, batata e pão francês. Mesmo assim, a redução não foi suficiente para compensar o aumento dos itens com maior peso na cesta.
Fatores climáticos e custos logísticos explicam cenário
De acordo com o pesquisador do Observatório da PUC-Campinas, Pedro Costa, o aumento não é pontual e reflete um cenário mais amplo.
“Sim. Realmente é um aumento que assusta. Esses primeiros meses do ano, então assim, acho que tem alguns fatores que são periódicos”, explica.
Segundo ele, fatores climáticos impactaram diretamente a produção de alimentos, enquanto o aumento dos custos logísticos, como transporte, também contribuiu para a alta.
“Então, houve uma série de fatores que se somaram e contribuíram para essa alta.”
Tendência ainda é de pressão nos preços
O movimento não é exclusivo de Campinas. Outras capitais brasileiras também registraram aumento no custo da cesta básica em março, indicando um fenômeno nacional.
A expectativa, segundo os pesquisadores, é de que os preços continuem pressionados ao longo do ano.
“Então, digamos que a gente vive esse clima de preços tendendo para cima”, afirma Pedro Costa.
Alta no ano já preocupa
No acumulado de 2026, a cesta básica em Campinas já registra aumento de 6,25%. Apesar de estar abaixo de cidades como Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte, o índice é considerado elevado.
O cenário acende um alerta, principalmente para famílias de baixa renda, que sentem mais intensamente o impacto da alta dos alimentos e têm pouca margem para ajustar o orçamento mensal.
