Os resultados preliminares de uma nova rodada de coleta de amostras da água nesta quarta-feira (29), na estação de captação de água do Rio Jaguari, em Cosmópolis, mostraram condições normais de temperatura e nível de oxigênio, e uma pequena quantidade de microalgas.
Os testes puderam ser acompanhados em tempo real pela imprensa. Segundo o assistente executivo de Qualidade Ambiental da Cetesb, Nelson Menegon, as microalgas são apenas uma das hipóteses das causas do problema do mau cheiro.
“Normalmente as algas se desenvolvem em ambientes de água parada, como reservatórios. Como esse trecho final do Rio Jaguari acaba espraiando, tem uma largura maior, a velocidade da água também diminui. Esse fenômeno acaba sendo mais sentido na época em que param as chuvas, porque aí a vazão do rio diminui e a velocidade também diminui. A água do rio nesse trecho final passa a ter um comportamento mais lento e, portanto, facilita o desenvolvimento desses microorganismos na água, porque eles gostam de ambientes parados”, explicou.

A Cetesb é o órgão responsável pelo monitoramento exclusivo de mananciais, como rios, lagos e lagoas. O teste desta quarta foi apenas uma entre centenas que vêm sendo realizados ao longo de todo o curso do Rio Jaguari.
Até o momento, a autarquia afirma que não há um veredito sobre o motivo exato do problema de mau cheiro e coloração turva da água.

O problema continua
O problema é denunciado por ouvintes da CBN em Limeira, Hortolândia, Paulínia, Monte Mor e Artur Nogueira desde o feriado de Tiradentes.
Na manhã desta quarta-feira, o Rony, morador de Hortolândia, voltou a denunciar o problema pelo WhatsApp da CBN:
“O odor está horrível, muito forte. O cheiro. O gosto da água está muito ruim ainda. Eu acho que não tem nada resolvido, não. Inclusive a gente abriu um chamado hoje na Sabesp para eles irem até a nossa casa em Hortolândia para poder fazer uma medição, alguma coisa, porque sem condições. Não dá para beber a água, nem pelo filtro que a gente tem na cozinha”, relatou.
O Rodnei também denunciou que o problema continuava acontecendo na manhã desta quarta:
“O cheiro e o gosto continuam muito fortes. Hoje de manhã para tomar banho, aquele cheiro muito forte no chuveiro. Está bem forte e eu não vi mudança nenhuma ainda, não. Não vi nenhuma atenuação. Nada. Para tomar água, estamos bebendo a mineral”, descreveu.

O que dizem as concessionárias
Cada concessionária envolvida na rede de distribuição destas cidades também mantém programas e ações de vigilância próprios.
A gerente regional da Sabesp, Michelle Lima, afirmou que, até o momento, os testes realizados pela empresa não demonstraram nenhuma anomalia na qualidade da água fornecida aos consumidores. A empresa também diz já ter realizado cerca de 1200 visitas à pedido dos moradores.
“É importante mencionar que a Sabesp é responsável pelo processo de captação e tratamento. Todas as coletas e amostras são realizadas, e a gente está atendendo todos os parâmetros do Ministério da Saúde. A gente já conseguiu implantar uma tecnologia avançada de tratamento com carvão ativado que está operando, está em funcionamento. Isso ajuda a remover essa percepção de odor e gosto. Com relação aos resultados, da nossa parte também não há nenhuma anomalia encontrada. Está tudo dentro dos parâmetros e a água está potável para consumo”, argumentou.

Representantes da BRK Ambiental também foram procurados pela CBN, mas não gravaram entrevista. Eles afirmaram à reportagem que das centenas de testes realizados por dia, nenhum deles mostrou anomalia na qualidade da água.
Declararam também que as ações recentes de remanejamento das fontes de captação de água garantiram redução significativa no número de denúncias de mau cheiro do produto que chega às torneiras.
Técnicos da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) também acompanharam a visita técnica à estação, mas não gravaram entrevista. O espaço continua aberto para manifestação.

