Ao comentar as tensões entre o Supremo Tribunal Federal e a classe política nas últimas semanas, o ex-presidente da República, Michel Temer, defendeu o diálogo como forma de pacificar as relações entre os poderes.
Temer esteve ao lado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, no 8º Fórum Paulista de Desenvolvimento, que foi realizado em Itu nesta segunda-feira (27).
Na semana passada, o ministro do STF, Gilmar Mendes, pediu a inclusão do ex-governador Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news, depois da publicação de um vídeo em que fantoches interpretavam falas de ministros da Corte no Caso Master.
Temer afirmou que o diálogo é o único caminho para superar a polarização. Embora não tenha assumido qual será o seu candidato para o Governo de São Paulo e para a Presidência da República, o ex-presidente fez acenos para Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ronaldo Caiado (PSD).
“Perdeu-se no Brasil a ideia do diálogo, não só interno dos poderes, mas entre os poderes. A falta disso é o que gerou que as pessoas chamam de ‘polarização’ e eu chamo de radicalização. Polarizar ideias, sistemas, projetos, programas é fundamental para a democracia, que é o regime da divergência. Isso é fundamental. O que há é uma radicalização. Primeiro foi o ‘nós’, depois o ‘eles’, e isso dividiu os brasileiros. Péssimo para o Brasil”, afirmou.

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), também elevou o tom das críticas e defendeu que o Supremo Tribunal Federal tome a frente dos pedidos de impeachment de magistrados da própria Corte.
“Todos os órgãos que têm um conjunto de membros são responsáveis exatamente por isso. Quando você tem um problema do partido dentro do Congresso Nacional, dentro de uma instituição que é constituída por vários membros, existe essa ação interna dentro do Supremo como existem os outros poderes que são colegiados. Isso é o que eu espero. Agora, se isso realmente não acontecer, isso acontecerá por intermédio do Senado Federal que, aí sim, é o órgão capaz de poder fazer esse julgamento e impeachmar os ministros”, argumentou.

O ex-secretário estadual de Governo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reiterou o apoio a Tarcísio de Freitas e disse que não há nenhuma chance de apoiar o ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes.
“O PSD está de cabeça na chapa, foi o primeiro a apoiar o Tarcísio e delegar a ele a composição da chapa. O PSD tem protagonismo dentro do Governo [Tarcísio]. É o partido que apoia o governador desde o primeiro momento, muito feliz com a sua gestão, com a sua qualidade, e realmente muito envolvido com a sua campanha de reeleição”, declarou.
O deputado federal Jonas Donizette (PSB) também estava presente, e defendeu alguns projetos como a Reforma Tributária, que começa a valer no ano que vem, e a desoneração da cadeia de exportação por meio do programa “Credita Brasil”.
Jonas reiterou a posição da direção nacional do PSB em defender dois candidatos ao Senado por São Paulo: a ex-ministra Simone Tebet e o ex-governador Márcio França.
“O PSB vai pleitear as duas vagas de Senado. É claro que o candidato a governador [Haddad] também vai se envolver nesses debates e eu acredito que nós teremos uma solução de conciliação. Mas hoje, o pleito do PSB é pelas duas vagas do Senado para fazer a composição política”, pontuou.
O FOPA, Fórum Paulista de Desenvolvimento, discute os desafios da economia paulista, especialmente em áreas como o empreendedorismo e a indústria.
O vice-presidente e pré-candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), chegou a ser anunciado, mas não compareceu ao evento. Enquanto cumpria agenda em Presidente Prudente e em Andradina, ele gravou vídeo em que exaltou realizações recentes como a desoneração para exportações e a Reforma Tributária.
