A Rua Francisco Teodoro, na Vila Industrial, voltou a ser notícia nesta semana com o caso do ataque de um cachorro rottweiller a um vigia de um prédio abandonado. Ele morreu depois de dois dias de internação no Hospital Mário Gatti.
Localizada entre as avenidas João Jorge, General Carneiro e Prefeito José Nicolau Ludgero Maselli, a via se tornou referência para o albergue da ONG Casa da Cidadania, que acolhe pessoas em situação de rua.
Moradores e comerciantes apontam o grande número de usuários de drogas, especialmente perto da Praça Conde Francisco Matarazzo, na esquina com a Rua Sete de Setembro.
A reportagem da CBN confirmou que, nem mesmo a presença da base da Administração Regional 1 impede a escalada do problema.
Uma comerciante, que não quer se identificar, denuncia que a linha férrea que termina na Estação Cultura, se tornou um ponto de armazenamento e tráfico de entorpecentes.
“É inaceitável o que acontece ali. É um depósito de drogas, uma venda de drogas. Como que alguém pode ter uma empresa ali? Há muito tempo que eu venho reclamando. É um motivo muito triste para nós. Nós temos uma dificuldade com os moradores em situação de rua. Ainda veio a invasão do prédio. Por diversas vezes eu pedi ajuda”, afirma.
A consultora comercial Eliana nasceu nas imediações há 50 anos. Apesar de não morar mais por aqui, ela diz temer pela segurança da família, que ainda mora por aqui. Ela também questiona a desvalorização dos imóveis.
“A gente brincou muito aqui, a gente fica muito à vontade. Hoje em dia, não. É sempre um olhando o outro. Aqui é complicado. Na loja da minha amiga, ali na esquina, já entraram e roubaram televisão. Além de loja, ela tem um espaço gourmet com piscina, e já entraram, pularam, levaram muita coisa. Roubo de carro também”, alerta.
O Damião reclama da sujeira deixada pelos moradores em situação de rua .
“Atrapalha na calçada. Mas assim, é uma coisa que eu acho que o prefeito tem que resolver isso. Não é legal. Tem muitas pessoas que a gente vê que vem de fora, de outros estados, que ‘desovam’ as pessoas aqui em Campinas”, comenta.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Campinas garantiu que a Guarda Municipal realiza rondas frequentes na região, como parte de ações de monitoramento e prevenção em parceria com a Polícia Militar.
A Administração também disse manter um trabalho contínuo de abordagem social e busca ativa, com encaminhamentos para acolhimento, atendimento de saúde e serviços da rede municipal.
Ressaltou, ainda, que a Casa da Cidadania atende a população em situação de rua, com oferta de higiene, alimentação e um espaço de convivência.
O município afirmou que um plano de revitalização para a Vila Industrial está em andamento, com grupos de estudos liderados pela Secretaria de Planejamento.
A intenção é desenvolver estratégias para estimular a reocupação e valorização, com avaliação de incentivos urbanísticos e fiscais, medidas para ampliar o potencial construtivo da área e atrair novos empreendimentos residenciais e comerciais.
A CBN também questionou quem seria o atual proprietário do prédio abandonado, na esquina com a Rua Antenor Sarmento, mas a Prefeitura informou apenas se tratar de uma propriedade particular.
A Administração disse ter notificado o dono para garantir a estabilidade e segurança da edificação, além de fazer a limpeza do local. A Prefeitura afirmou que a Secretaria de Urbanismo vai fazer uma nova vistoria para avaliar as condições estruturais do prédio.