As ligações indesejadas e tentativas de golpe por telefone seguem como um dos principais problemas enfrentados pelos brasileiros. Só no estado de São Paulo, mais de 3,5 milhões de números já foram cadastrados em serviços de bloqueio do Procon, numa tentativa de reduzir o incômodo e os riscos.
Chamadas mudas, números desconhecidos e contatos insistentes fazem parte da rotina. Além do transtorno, esse tipo de ligação pode ser porta de entrada para fraudes.
O jornalista Julio Cesar relata o impacto no dia a dia.
“muito demais porque aí você está fazendo alguma atividade para de fazer para atender o telefone e ficar falando alô né e ninguém responde. Aí você tem que voltar depois recomeçar o que estava fazendo então assim é uma perca de tempo né.”
Mesmo com aplicativos e ferramentas que bloqueiam números indesejados, ainda é difícil saber se uma ligação é realmente segura. Pensando nisso, pesquisadores do CPQD, em Campinas, estão desenvolvendo uma tecnologia que promete mudar esse cenário.
O sistema é chamado de “credencial verificável”. A ideia é que, ao receber uma ligação, o usuário tenha acesso não só ao número, mas também a informações validadas digitalmente sobre quem está ligando e o motivo do contato.
Segundo o pesquisador e consultor do CPQD, Ismael Ávila, a tecnologia funciona como uma identidade digital da chamada.
“credencial verificável é um documento criptográfico, ou seja, um documento que não pode ser falsificado e ele é de posse exclusiva do seu titular. Então, o titular, ele usa essa credencial para provar a identidade dele e para provar alguns atributos que ele tem para usar um serviço, por exemplo. Não tendo essa confirmação durante a chamada, ela pode simplesmente não atender E aí, com isso, ela fica protegida de ser enganada por algum criminoso.”
Na prática, o celular indicaria se a ligação é segura ou suspeita, com base na validação da origem. A proposta é semelhante a um “RG da ligação”, trazendo mais transparência e segurança para o usuário.
O projeto ainda está em fase inicial e é financiado pelo Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, ligado ao Ministério das Comunicações. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia seja adotada por operadoras e regulamentada por órgãos como a Anatel.
Além das chamadas telefônicas, o sistema também pode ser utilizado em transações digitais, como envio de documentos, acesso a serviços e até operações financeiras.
A gerente de soluções blockchain do CPQD, Andreza Lona, destaca que a proposta é reduzir a exposição de dados sensíveis.
“quando a gente tem um emissor de confiança gerando essas credenciais com esses dados, a gente sabe que os dados são de origem validada e que a informação continua sendo verdadeira e vigente. No caso de um financiamento, muitas vezes a gente compartilha a declaração de Imposto de Renda, que tem ali as informações sobre bens, sobre dependentes, sobre dados de saúde, que são dados sensíveis.”
Para quem sofre com o excesso de ligações, a expectativa é de mais segurança e praticidade no dia a dia.
Julio Cesar acredita que a ferramenta pode fazer diferença.
“facilitaria muito, porque a gente consegue ver quem está ligando pra gente, se dá para atender, se não dá para atender, porque hoje em dia está muito perigoso, né? É um golpe atrás de golpe, é o golpe do golpe, então assim, se isso realmente funcionar, vai ser de muita valia pra gente sim, com certeza.”
A previsão é que a tecnologia chegue ao público a partir de 2028. Até lá, especialistas reforçam a importância de evitar atender chamadas desconhecidas e nunca compartilhar dados pessoais por telefone.