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Primeiro porco clonado no Brasil nasce em laboratório da USP em Piracicaba

Pesquisadores da Universidade de São Paulo conseguiram fazer, em Piracicaba, a primeira clonagem de um porco no Brasil. O animal nasceu saudável, com 2 quilos e meio, em um laboratório

clonado
Foto: Reprodução/TV Globo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo conseguiram fazer, em Piracicaba, a primeira clonagem de um porco no Brasil. O animal nasceu saudável, com 2 quilos e meio, em um laboratório instalado na cidade, e representa um avanço importante para pesquisas que buscam, no futuro, produzir órgãos para transplante em seres humanos. A informação foi divulgada no Jornal Nacional, da TV Globo.

O nascimento do porquinho clonado faz parte de um projeto desenvolvido pela USP voltado ao xenotransplante, que é a transferência de órgãos entre espécies diferentes. Os órgãos de suínos são parecidos com os humanos em tamanho e funcionamento, o que faz desses animais os principais candidatos para esse tipo de pesquisa.

A clonagem é considerada uma etapa fundamental do projeto. Dominar essa técnica permite produzir, em escala, animais geneticamente modificados, algo essencial para reduzir o tempo de espera de pacientes que precisam de transplantes. Hoje, mais de 46 mil de brasileiros aguardam por um órgão, conforme dados atualizados pelo Ministério da Saúde no dia 1º de abril.

As pesquisas com xenotransplante começaram ainda na década de 1960, mas foram interrompidas porque os pacientes apresentavam rejeição grave logo após o transplante. Com o avanço da ciência, os pesquisadores identificaram genes responsáveis por essa rejeição e aprenderam a desativá-los. No laboratório da USP, além de desligar genes suínos que causam rejeição, os cientistas também inserem genes humanos para aumentar a compatibilidade dos órgãos.

O grupo de pesquisa conseguiu dominar a técnica de modificação genética das células em 2022. A partir daí, começou a fase mais complexa, a clonagem dos porcos. A taxa de sucesso desse tipo de procedimento é baixa em todo o mundo, e poucas equipes conseguiram levar uma gestação até o fim. Em Piracicaba, após várias tentativas e ajustes técnicos, a gestação foi concluída com sucesso.

Até agora, a clonagem envolveu porcos sem modificação genética. O próximo passo da pesquisa é aplicar a técnica em embriões geneticamente alterados e iniciar, no futuro, os estudos de transplantes em humanos. Os pesquisadores destacam que ainda há desafios, mas avaliam o resultado como um avanço decisivo.

A produção nacional de órgãos pode evitar custos elevados com importação e permitir que o Sistema Único de Saúde seja atendido no futuro. O trabalho feito em Piracicaba coloca o país em um grupo restrito de centros de pesquisa que dominam a clonagem de suínos com foco em transplantes.

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