O projeto de recuperação florestal desenvolvido no Haras Maripá, da Fazenda Retiro de Santana, em Jaguariúna, foi reconhecido pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) como um exemplo de referência desse tipo no estado de São Paulo.
O local foi escolhido há seis anos para aglutinar 45 passivos de compensação florestal por licenciamento ambiental no estado de São Paulo.
Desde então, mais de 96% do território original de 62 hectares já foram recuperados, um índice que surpreendeu os próprios especialistas, por ser alcançado em um tempo bem menor do que a previsão inicial de 20 anos.
A coordenadora de Restauração Florestal da ONG SOS Mata Atlântica, Tainá Franco Sterdi, explica que o principal marcador de êxito do projeto é a “autossustentação”.
“Dos quase 70 hectares restaurados, 46 já atingiram parâmetros de autossustentação, de acordo com a Resolução SMA 32, do estado de São Paulo. O restante ainda está em processo de restauração, mas que um dia também vai atingir a autossustentação e poderá seguir sem a intervenção humana”, conta.
Tainá também conta que o sucesso do projeto é explicado pela combinação de espécies nativas semeadas no local.
“A gente utilizou uma metodologia de plantio de mudas em um espaçamento 2×2. Foram todas mudas nativas da Mata Atlântica, de fitofisionomia de Floresta Estacional Semidecidual, que é a regional. E foram de 80 a 120 espécies em cada uma das localidades”, explicou.
A recuperação florestal no Haras Maripá faz parte de uma lista de três mil projetos de recuperação ambiental em todo o estado, monitorados pela CETESB.

O diretor-presidente do órgão, Thomaz Toledo, defende que iniciativas desse tipo são exemplos do trabalho de fiscalização e garantia do cumprimento das leis ambientais.
“Para a construção de uma planta, de uma fábrica, você precisa fazer uma supressão, um corte de vegetação. A legislação obriga que você faça a compensação desse corte em uma outra área. Em São Paulo a gente tem esse projeto de referência justamente porque estamos conseguindo executar os plantios exigidos pela legislação”, afirma.

Toledo afirma que o modelo deve ser replicado para outras regiões paulistas, e prova ser possível conciliar o desenvolvimento urbano com a conservação do meio ambiente.
“Os resultados de uma reposição florestal são justamente olhar e perceber que o licenciamento ambiental cumpriu com a sua função. Associado a esse esforço de recuperação da APP da fazenda do grupo Maripá, a gente tem diversas indústrias e outras atividades econômicas que foram feitas com a necessidade de se fazer o corte da vegetação para se preparar o terreno, construir e desenvolver atividade econômica no território do estado. Mas assim a gente acaba conciliando o desenvolvimento econômico com a restauração florestal das Áreas de Preservação Permanente”, observa.
O ciclo completo de restauração no Haras Maripá prevê que o projeto seja concluído em sete anos.
Ao todo foram 145 mil mudas nativas semeadas e 11 nascentes d’água protegidas na região.
