É começo da manhã em Campinas. Na esquina da Rua Regente Feijó com a Rua Costa Aguiar, as portas de ferro de uma loja que ainda não abriu, trazem uma mensagem pintada à tinta: ela pede que o local não seja usado para urinar.
O entorno da Catedral, de fato, é um dos pontos da cidade que concentra maior número de pessoas desse grupo, e onde ouvimos queixas como a de uma senhora, que não quis se identificar.
“Depois das 16h30, 17h00, aqui fica lotado de morador de rua. Eles fazem a necessidade de rua ali e o cheiro fica horrível”, reclama.
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de Campinas, entre os dias 23 e 27 de março, 145 pessoas foram atendidas pelo Serviço de Abordagem Social de Pessoas em Situação de Rua na região central.
Na sequência, apareceram a Região Sul, com 39 atendimentos e a Leste, com nove acolhimentos. Por fim, a região Noroeste de Campinas teve seis atendimentos, e a região Sudoeste, três casos recebidos.
Também entre 23 e 27 de março, a Prefeitura informou ter feito 50 atendimentos na sede, além de atividades em grupo, visitas domiciliares, acompanhamentos e resposta a pedidos feitos pelo telefone 156.
Segundo a secretária municipal Vandecleya Moro, os 233 atendimentos realizados nas ruas não representam o tamanho total da população em situação de rua.
“É importante dizer que esse número de abordagens não significa o número de pessoas em situação de rua. A mesma pessoa é abordada mais de uma vez durante o dia. O objetivo do serviço de abordagem é fazer com que essa pessoa tenha o desejo de sair da rua. Isso é feito por meio de várias abordagens e encaminhamentos”, explica.
Dentre os serviços oferecidos pelo acolhimento municipal estão o consultório na rua, a regularização de documentos e o serviço de Defensoria Pública.
De acordo com a Prefeitura, os trabalhos também incluem o mapeamento socioassistencial em bairros e territórios como a Praça da Concórdia, o Jardim Bassoli, o Parque Itajaí, o Residencial Novo Mundo, o Jardim Londres, o Jardim Marajó, o Vida Nova, o Residencial Fazenda Lagoa e o Jardim Cristina.
Segundo o censo da população em situação de rua conduzido pelo Instituto Quaest, pela Fundação FEAC e pela Prefeiutra de Campinas, a cidade tinha 1.557 pessoas nessa situação, sendo 83,5% vivendo nas ruas e 16,5% em serviços de acolhimento institucional.