Os chamados cinturões de segurança voltaram a ser tema de discussão em Campinas e seguem dividindo opiniões entre moradores. No Jardim Paraíso, na região do Guarani, estudantes que circulam pelo bairro à noite relatam dificuldades após o fechamento recente de acessos.
Entre as principais reclamações dos alunos da Universidade São Francisco Câmpus Sagrado Coração estão a restrição de circulação, falta de iluminação adequada e aumento da sensação de insegurança no período noturno.
A estudante Camila Santos conta que com as ruas fechadas, os locais para estacionar ficaram ainda mais longe, em áreas escuras do bairro.
A situação reacende um debate que já havia ganhado força ano passado. Em 2025, a instalação de portões no mesmo bairro gerou divergência entre moradores. Parte da população defendia a medida como forma de aumentar a segurança e reduzir crimes.
Já outro grupo apontava impactos negativos, como aumento dos trajetos, redução da circulação de pessoas e dificuldade de acesso às ruas.
Os portões funcionam por meio de autorização da Prefeitura e operam com controle de acesso durante a noite, normalmente entre seis da tarde e oito da manhã.
Mas, na prática, os novos relatos trazem um cenário de menos movimento nas ruas, mais pontos escuros e sensação de isolamento, principalmente para quem depende da circulação noturna, como estudantes e trabalhadores.
A universitária Juliana Garcez também cita casos de furto em veículos e de colegas mulheres que foram seguidas durante a noite.
O grupo que frequenta a instituição de ensino na região afirma que, apesar da proposta de reforçar a segurança, a medida pode acabar criando novos problemas, especialmente nos horários de menor fluxo de pessoas.
O que diz a Prefeitura
A Secretaria de Planejamento Urbano informou, em nota, que o cinturão é regular e está aprovado conforme decreto municipal. Disse que o direito ao acesso a pé ou de carro precisa estar garantido 24 horas por dia, de acordo com a legislação. A Prefeitura afirmou ainda que uma equipe vai fiscalizar o local para garantir o cumprimento das regras.
Em relação aos problemas de iluminação, a Prefeitura informou que a concessionária Conecta será acionada para realizar vistoria e eventuais reparos no sistema.
Já a Polícia Militar disse, em nota, que o policiamento na região será reforçado.
