No ritmo da sanfona, a vida respira na Rua 13 de Maio, que completa 138 anos. É onde encontramos a Daiane, aproveitando a folga na boa companhia do pequeno Davi.
“Tô aqui passeando com ele, aproveitando um pouco a folga do meu trabalho para fazer uma comprinha. Comprar algumas coisas para ele, para mim, para o meu esposo. Roupas para nós. Eu só compro aqui em Campinas, que as coisas são mais baratas”, conta.

A vocação para ser conhecida vem de longe. No final do século XIX, o hoje calçadão ainda era a Rua São Carlos.
O rebatismo para homenagear o dia 13 de Maio ocorreu no mesmo ano da abolição da escravidão, por meio de uma moção enviada à Câmara Municipal.
O historiador Sidney Lisboa Rocha conta que a referência a esta data dialoga com um passado triste sobre o lugar de Campinas dentro do sistema de escravização.
“Pelo menos em três censos ao longo do século 19, a população de gente escravizada superava a população de gente livre. É pensando nisso que se deu esse nome para essa rua. A Rua 13 de Maio já foi palco de momentos emblemáticos para Campinas. Por aqui passou Dom Pedro II, por aqui passou Santos Dumont, por aqui passou o corpo do maestro Carlos Gomes. Aqui na esquina com a Francisco Glicério morava uma Viscondessa, e logo na esquina em frente ficava o Colégio Carlos Gomes antes de ele ser transferido para a Avenida Anchieta como a gente conhece hoje”, narra.

Ao longo do tempo, a 13 de Maio também foi se consolidando como uma “rua de boas vindas” à cidade.
É que no tempo dos trens da Companhia Paulista, muitas pessoas chegavam a Campinas pela Estação Ferroviária e desciam a 13 em direção a algum compromisso no Centro.
Uma dinâmica que ajudou a forjar o caráter popular da rua, que hoje é um calçadão de comércio com foco nos públicos C, D, e E, com mais de 800 metros quadrados e cerca de 100 lojas.
No quadrilátero da antiga Rótula, que compreende a Estação Cultura, a Nova Rodoviária, a 13 de Maio, Avenida Anchieta, Orozimbo Maia e Andrade Neves, a estimativa é que 300 mil pessoas circulem pela região todos os anos.
É onde a campineira Kerle Nunes também cresceu, construiu família e hoje é gerente de loja. Para ela, a vida da 13 de Maio representa uma rua nova a cada dia.
“Eu já trabalho aqui na 13 de Maio faz tantos anos que eu acho que o meu dia a dia é aqui mesmo. Eu trabalhei em algumas lojas no Centro, mas aqui já faz bastante tempo que eu estou. O que eu acho legal de a gente trabalhar aqui na 13 é porque o seu dia nunca é rotina. É sempre um cliente diferente, uma história diferente. Você conversa com os clientes, entende a necessidade deles, ajuda, acaba fazendo amizade. Então o seu dia nunca se torna uma rotina. Todo dia é uma coisa diferente”, diz emocionada.

