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Fundo de previdência dos servidores de Cajamar aplicou R$ 87 milhões no Master, aponta PF

A Polícia Federal de Campinas identificou que ao menos R$ 87 milhões do fundo de previdência dos servidores públicos de Cajamar foram aplicados no Banco Master. Outros R$ 20 milhões

Fundo de previdência dos servidores de Cajamar aplicou R$ 87 milhões no Master, aponta PF
Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Cajamar. Foto: Polícia Federal/Reprodução

A Polícia Federal de Campinas identificou que ao menos R$ 87 milhões do fundo de previdência dos servidores públicos de Cajamar foram aplicados no Banco Master. Outros R$ 20 milhões foram aplicados em outra instituição financeira, o Daycoval.

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por fraudes financeiras e violações de normas bancárias.

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Gestores do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Cajamar estão sendo investigados pela Polícia Federal na Operação Off-Balance, realizada nesta quarta-feira (13), por gestão temerária dos recursos, ou seja, má administração do dinheiro público.

De acordo com a investigação, o valor de R$ 107 milhões corresponde a 20% do total do fundo, que foi aplicado de forma irresponsável, em investimentos de alto risco, sem a segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os investimentos foram feitos entre agosto de 2023 a março de 2024.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Cajamar, Boituva e São Paulo. Quatro integrantes do departamento de previdência são alvos da investigação: o ex-diretor executivo da previdência, o diretor administrativo e financeiro, o diretor do Departamento de Benefícios e o subsecretário municipal de Governo. Na época em que os investimentos foram feitos, o prefeito da cidade era Danilo Joan.

Também foram determinadas medidas cautelares, como afastamento de função pública e indisponibilidade de bens. Durante as buscas em endereços dos envolvidos, foram apreendidos documentos, computadores e celulares, que serão analisados para o andamento das investigações.

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A Prefeitura de Cajamar afirmou que o Instituto de Previdência Social dos Servidores (IPSSC) “possui personalidade jurídica própria, sendo uma autarquia municipal com autonomia administrativa, financeira e patrimonial” e que os investimentos financeiros realizados pelo instituto “seguem regras específicas da legislação aplicável aos regimes próprios de previdência, bem como a Política Anual de Investimentos e as normas do Conselho Monetário Nacional (CMN), não cabendo à Prefeitura de Cajamar participação direta, autorização ou execução das aplicações financeiras realizadas pela autarquia”.

A nota diz ainda que as aplicações realizadas ocorreram dentro das normas e parâmetros legais vigentes, considerando que a instituição financeira mencionada possuía autorização de funcionamento pelo Banco Central do Brasil e atendia aos critérios técnicos exigidos para este tipo de operação. Até o presente momento, não há confirmação de prejuízo efetivo aos pagamentos de aposentadorias e pensões dos servidores públicos municipais, que seguem garantidos normalmente. A atual administração municipal reforça que acompanha os desdobramentos do caso com transparência e responsabilidade, colaborando com as autoridades competentes.

Investimentos de risco no setor público

Conforme a Polícia Federal, as investigações indicaram possíveis irregularidades na aplicação em quatro Letras Financeiras emitidas pelos dois bancos privados. O inquérito teve início a partir de informações que apontavam possíveis riscos e inconsistências na forma como os recursos previdenciários foram aplicados, o que poderia representar violação ao dever de prudência na gestão do fundo. 

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação, “Off-Balance”, faz referência ao desequilíbrio entre a obrigação de cautela na administração de recursos previdenciários e a adoção de investimentos considerados de alto risco, além de remeter a possíveis distorções na real situação patrimonial do instituto. 

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