Macarronada, pizza, bife à parmegiana… Vamos combinar: qualquer prato com tomate vai bem. Mas a gente sabe que o preço da hortaliça não está barato.
Segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o valor do tomate já acumula uma alta de mais de 45% desde o início do ano.
De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), a caixa de 20 quilos no atacado em São Paulo abriu a segunda quinzena de abril em R$ 138,13, alta de quase 39% em relação à semana anterior.
Preço alto… Sinônimo de produto em falta. Além da questão climática, um dos inimigos do plantio de tomate vem do céu.
A chamada mosca-branca é um dos inimigos do cultivo de tomate, por beber a seiva da planta e transportar um vírus que faz o tomateiro perder o vigor, e produzir menos.
Um projeto desenvolvido por uma empresa de base tecnológica de Piracicaba aposta no chamado “manejo fitossanitário preventivo” para vencer a principal praga do tomateiro, e também utilizar menos defensivos agrícolas.
Ele faz parte da “Rota do Tomate Mais Sustentável”, projeto que chega à sua segunda temporada, mobilizando produtores de diversas regiões do Brasil.
É o chamado “manejo integrado”, em que os produtores passam a adotar cuidados com o ambiente em que o tomateiro está plantado, além de bioinsumos como fungos e bactérias, que ajudam a equilibrar o ecossistema do tomateiro.
Com isso, a carga de produtos químicos também é reduzida, como explica o sócio-fundador, Marcelo Poletti.
“Para o controle dessas pragas, os defensivos químicos não têm funcionado muito bem, especialmente por conta da resistência. Elas se tornam resistentes. A tendência é que se o produtor continuar só com o controle químico, ele vai aumentar a dose e, cada vez mais, ter problemas com os resíduos quando ele entrega o alimento nas gôndolas dos supermercados, e isso é um problema para nós, consumidores. Os biológicos, como bactérias, fungos e vírus e até insetos (como os ácaros predadores e as vespinhas que fazem um controle biológico em campo). E é importante dizer: quando a gente fala neles, são organismos benéficos que agem só controlando o inseto. Nós não vamos ter nenhum tipo de resíduo biológico nos nossos alimentos”, descreveu.
Mas e para o produtor? O que muda? Bom, os produtores que seguiram as principais etapas do manejo podem ser reconhecidos com o “Certificado de Boas Práticas Agrícolas”, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). É o “selo da Joaninha”, que estampa as embalagens de tomate.
A Maria Mercês trabalha em família no sistema de parceria, de uma produção de tomate sweet grape, de 3,5 hectares, em Pará de Minas (MG).
Para ela e para o filho, Tiago Duarte, o esforço para produzir um tomate com menos produtos químicos também é um exercício de transparência com o consumidor.
“É um cultivo protegido, onde tem uma tela em volta em que a gente procura não deixar nenhum buraquinho na tela. A gente faz todas as revisões para estar ajudando, para ter mais facilidade e menos pragas dentro da estufa”, conta Maria.
“O selo é muito importante pra gente para estar identificando o nosso tomate no mercado. Tem muito produto de má qualidade e esse selo vai ser muito importante pra gente”, celebra Tiago.
Menos produtos químicos, mais estabilidade na oferta. Programas como este podem ajudar a estabilizar a produção, e com isso, equilibrar a questão do preço do tomate.
A economista do Cepea, Margareth Boteon, projeta que depois do 2025 atípico para o fruto vermelho, este ano deve marcar a normalização dos preços.
“No ano passado, os preços de hortaliças foram muito ruins. Você pega a cebola, a batata, uma queda ao produtor de 70% em 2025 frente a 2024 em função de um aumento da oferta. Só que cresceu muito mais do que a demanda poderia consumir, e isso teve uma pressão muito grande em preços, uma queda de produtor. Então o produtor entra em 2026 um pouco mais seletivo, com menos capacidade de investir também. E esse ano a questão climática também vai influenciar muito na oferta. Provavelmente nossa previsão é uma área menor por conta da capacidade menor de investimento do produtor, com a produtividade talvez não tão elevada como no ano passado. Isso dá um equilíbrio de preços. Não é que o consumidor vai ter preços altíssimos, mas um preço mais equilibrado”, explica.
Apesar do destaque para o tomate, as tecnologias de manejo integrado também podem ser aplicadas em outros cultivos da horticultura. É o empurrãozinho que garante o tomate na mesa impactando menos o meio ambiente.
