O CPQD (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações) lançou, nesta sexta-feira (29), a pedra fundamental do “Núcleo de Inteligência Artificial Avançada”.
A unidade vai abrigar supercomputadores de alto processamento, e agilizar a criação de soluções em serviços públicos para o Governo Federal.
Alguns exemplos incluem “chatbots” baseados em IA que já estão em funcionamento para estudantes do Enem, do Sisu e usuários do programa Farmácia Popular.
O CPQD trabalha em parceria com a União dentro do projeto “Inspire”, financiado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e pelo FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O acordo tem extensão de quatro anos e valor de R$ 390 milhões.
Em visita a Campinas, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, conheceu as instalações do centro de pesquisas.
Ela afirmou que a unidade fortalece o plano de nacionalizar o armazenamento de dados pessoais sensíveis, reduzir a dependência estrangeira e defender a soberania brasileira.
“A gente já tem resultados em seis meses de projeto. Já está chegando na população. Mas a partir do momento que a gente tiver uma capacidade com a infraestrutura que a gente está criando aqui, e acelerar esse processo, a mudança vai ser uma transformação do Estado brasileiro”, comentou.
O projeto Inspire tem sete frentes de trabalho, com 200 colaboradores do CPQD e outros 160 de outras instituições. Em seis meses, 40 ações já foram entregues ou catalogadas.
O diretor do projeto, Paulo Curado, explicou que um lote inicial de informações de 77 milhões de brasileiros já vêm sendo usados como base para a criação dos aplicativos e soluções.
Dentro dos critérios da Lei Geral de Proteção de Dados, as informações são usadas apenas como referências.
“Quando essas aplicações são desenvolvidas aqui dentro, nesse ambiente anonimizado, eles vão ser transferidos pro Serpro e pro Dataprev, e lá eles vão ser trabalhados com os dados reais, usando todos os mecanismos de proteção que o governo tem. Então nós não vamos trabalhar com os dados puros dos cidadãos. Nós vamos trabalhar ou com dados anonimizados ou com dados sintéticos, outra técnica que a gente usa para testar os algoritmos e aplicações que nós vamos fazer”, explicou.
Para o diretor de Tecnologia e Inovação do CPQD, Gustavo Corrêa Lima, o programa fortalece o posicionamento do Brasil como competidor global na corrida pela Inteligência Artificial.
“O que a gente está vendo nascer aqui é uma aplicação prática de todos os conceitos de Inteligência Artificial, inclusive com desenvolvimento de modelos brasileiros para atendimento das necessidades do cidadão. Então aqui sim, potencializa não só a criação de modelos, mas a aplicação prática disso nas necessidades da população”, avaliou.
O projeto Inspire faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 (PBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões no período.
