Um ano depois do início da implantação das microflorestas, a Prefeitura de Campinas apresentou um plano para a possibilidade de adoção das microflorestas urbanas pela iniciativa privada.
Ao todo, 23 empresas se reuniram com a Administração para conhecer detalhes desses núcleos de vegetação. Segundo a Administração, o objetivo é acelerar a implantação dessas estruturas, que proporcionam redução de temperatura, sobreamento e melhoria do conforto ambiental em regiões altamente urbanizadas.
Hoje, a cidade conta com 25 microflorestas implantadas, com 33 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica.
A mais recente foi instalada na Fazenda Santa Cândida, em frente à Cidade Judiciária, com quase 1000 mudas em 1.600 m². A Prefeitura diz estar priorizando as espécies nativas da flora local.
Mas a desconexão entre uma microfloresta e outra, além do restante da vegetação de Campinas gera críticas de especialistas em arquitetura, urbanismo e preservação da natureza.
A urbanista Vanessa Bello destaca a importância das microflorestas para contribuir para a regulação microclimática e a preservação da biodiversidade. Entretanto, ela destaca que falta o desenvolvimento de um projeto que integre as diferentes áreas verdes da cidade e as necessidades de uso do ser humano.
“A gente não pode fazer isso sem um planejamento, sem um projeto. A gente precisa cumprir todas as etapas, desde o planejamento urbano, que é uma escala em que a gente olha a cidade e entende o papel dessas microflorestas dentro de um sistema de espaços livres. O nome ‘sistema’ é autoexplicativo, a gente não pode fazer fragmentos dessas áreas. A gente tem que entendê-las como um sistema ambiental que vai promover corredores verdes, corredores de fauna”, opina.
O arquiteto João Verde também reconhece a contribuição das áreas verdes para a cidade, mas ressalta que o excesso de árvores plantadas muito juntas pode gerar competição e disputa entre elas, o que pode atrasar o desenvolvimento.
Ele defende a inspiração em outros projetos internacionais para as microflorestas, como o modelo que propõe o uso delas como mecanismos de absorção da água, especialmente no contexto de combate às enchentes.
“Hoje nós temos experiências mais importantes no mundo, como a questão do desenvolvimento das cidades-esponja, e a utilização dos jardins de chuva, que nós poderíamos estar espalhando essas áreas em canteiros, em calçadas, em áreas mais altas da cidade, para reter a água. Ao mesmo tempo em que a gente estaria colocando vegetação, nós estaríamos fazendo regiões grandes de absorção de água de chuva, evitando as enxurradas”, comenta.
Outras cidades da região começam a adotar o modelo das microflorestas. Em Valinhos, o modelo está sendo implantado na alça do Viaduto Laudo Natel, na Vila Santana, com 420 mudas de diversas espécies.
A expectativa é que o projeto contribua com o “Programa Reconecta”, para interligar corredores ecológicos de fauna na vegetação remanescente da Mata Atlântica na RMC.
Os interessados em adotar uma microfloresta urbana devem procurar o Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura de Campinas, pelo (19) 3744-4651.
