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Base e oposição se unem pela investigação do vereador de Campinas, Vini Oliveira

Legislativo vai apurar eventual quebra de decoro em visita de parlamentar a empresa de transportes
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Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Com 29 votos favoráveis, a Câmara Municipal de Campinas abriu, na noite desta segunda-feira (1º), a Comissão Processante para investigar o vereador Vini Oliveira (Cidadania) por quebra de decoro parlamentar.

O vereador foi filmado saindo com caixas e malotes de uma empresa de transportes em Paulínia que é participante da licitação do transporte coletivo de Campinas.

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Para alguns vereadores, as cenas levantaram a suspeita de conduta irregular em defesa dos interesses da empresa.

A proponente da abertura da Comissão Processante foi a vereadora Mariana Conti (PSOL), que explicou o motivo do pedido.

“Trata-se de uma reunião à portas fechadas, com uma empresa que estava passando pelo processo de licitação. Já tinha passado o leilão, mas estava em fase de validação. No momento em que o transporte público está um caos na cidade, que o processo de licitação é extremamente conturbado. Essa reunião com uma empresa que está disputando o processo licitatório, por si só, já seria objeto de questionamento. O vídeo ainda mostra a empresa dizendo, com todas as letras, que ela tinha conseguido comprar a Zona Azul e conseguido dominar o sistema de transporte da cidade. E depois ele sai da reunião portando malotes”, descreveu.

Dias antes, pelas redes sociais, Vini Oliveira tentou se defender, e declarou nunca ter tocado em dinheiro que não fosse o próprio salário. O vereador afirmou que o malote continha apenas mídias eletrônicas e documentos com denúncias protocoladas por ele junto ao Ministério Público. Ele também afirmou colocar os sigilos bancário e fiscal à disposição dos investigadores.

Vini Oliveira não compareceu à sessão. O presidente da Câmara Municipal, Luiz Rossini (Republicanos), leu uma justificativa de ausência por atestado médico.

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“Recebi uma justificativa de ausência do vereador Vini Oliveira nesta sessão, porque se encontra internado. Eu tenho um atestado médico que diz que ele está, neste momento, em cuidados médicos em um hospital da cidade. Mas também esclareço que o decreto-lei 201 não exige a presença do parlamentar para que a leitura seja feita. Portanto, o processo seguirá”, explicou.

O amplo resultado favorável à abertura da Comissão Processante uniu base aliada e oposição.

A bancada do PL, por exemplo, fechou questão para votar junto sobre o tema e entende que as imagens deixam graves dúvidas sobre a conduta de Vini Oliveira. Foi o que pontuou o vereador Nick Schneider (PL).

“É algo que foi, no mínimo, imprudente da parte do vereador estar em uma empresa de ônibus durante o processo licitatório, da maneira como foi. Com as imagens que nós vimos. Mas nesse caso, eu acho que ainda tem muita coisa a ser esclarecida”, argumentou.

Depois de sorteio, a presidência da Comissão Processante ficará a cargo do vereador Paulo Haddad (PSD). A relatoria, com o vereador Otto Alejandro (PL). O terceiro integrante será o vereador Dr. Yanko (PP).

Licitação travada

Ontem, antes da sessão, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos) conversou com a reportagem da CBN sobre o tema.

Ele afirmou que cabe à Câmara realizar a investigação, e diz ter tranquilidade de que o episódio não afeta a lisura do processo de licitação do transporte público coletivo.

“É uma questão que realmente preocupa. Cabe à Câmara Municipal esclarecer e apurar, eventualmente, se houve ou não uma quebra de decoro. É uma questão realmente complexa do ponto de vista de estar acontecendo durante uma licitação tão complicada como esta. Eu acredito que não [afeta a lisura]. O processo em si, não. O que está sendo investigado é, supostamente o vereador dinheiro para defender um consórcio. Ali não tem atuação das secretarias da Prefeitura em relação a isso”, avaliou.

A licitação do transporte coletivo de Campinas está suspensa desde semana passada, após decisão liminar do desembargador Jarbas Gomes, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acolheu questionamentos sobre a falta de transparência no acesso aos documentos do processo.

A Prefeitura diz já ter ampliado os prazos de manifestação, e aguarda nova decisão do TJ.

O que acontece agora?

Segundo o regimento interno da Câmara Municipal, Vini Oliveira deve ser notificado e tem o prazo de dez dias para apresentar a defesa prévia por escrito.

Depois disso, os três integrantes da Comissão Processante devem publicar um parecer, em até cinco dias, pelo prosseguimento ou pelo arquivamento da denúncia. Esse parecer precisa ser aprovado pelo Plenário.

Se avançar, o grupo tem até 90 dias para elaborar um relatório final, que pode sugerir o arquivamento ou um eventual pedido de cassação do mandato. A decisão deles também precisa ser submetida ao plenário.

Defesas

A CBN Campinas procurou o Ministério Público, mas ainda não obteve um retorno. A assessoria do vereador Vini Oliveira (Cidadania) também foi procurada e informou o seguinte:

“Em relação a abertura da CP achamos que foi uma medida acertada pois será nessa Comissão que o Vereador terá a oportunidade de fazer sua defesa de uma forma justa, com farta apresentação de provas e documentos, saindo assim desse linchamento midiático“.

Reportagem atualizada em 02.jun.2026 às 10h15 para a inclusão de nota de posicionamento enviada pelo vereador Vini Oliveira.

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