A indústria na região de Campinas aponta falta de mão de obra qualificada e as incertezas sobre a Reforma Tributária como as principais preocupações. Os dados são de uma sondagem divulgada pelo Ciesp-Campinas com empresas associadas.
Segundo o levantamento, 31% das indústrias relatam dificuldade para contratar profissionais capacitados — o chamado “apagão de mão de obra”. O diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, afirma que as indústrias têm evitado demitir trabalhadores especializados porque é difícil encontrar reposição no mercado.
Outro ponto que preocupa, também citado por 31% das empresas, é a insegurança fiscal e as dúvidas sobre os impactos da Reforma Tributária no ambiente de negócios. Entre outros gargalos aparecem o custo do capital e os juros elevados, mencionados por 23% das indústrias. Também pesam as pressões inflacionárias e a redução das margens de lucro.
Apesar desse cenário de cautela, os indicadores de produção, faturamento e emprego seguem estáveis em relação aos meses anteriores, segundo o diretor do Ciesp. Mesmo assim, a entidade avalia que o conjunto desses fatores aumenta a incerteza para os próximos meses, principalmente com a eventual aprovação do fim da escala 6×1.
No comércio exterior, a indústria regional também monitora os efeitos das tensões geopolíticas.
O Ciesp alerta para a volatilidade do mercado global e para o aumento do custo dos fretes marítimos, especialmente por causa da instabilidade em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, no Irã.
Apesar dos desafios, a balança comercial da região teve crescimento. As exportações somaram 330 milhões de dólares em abril, uma alta de mais de 10% na comparação com o mesmo período do ano passado. As importações chegaram a 1 bilhão e 200 milhões de dólares.
Campinas lidera as exportações na região, seguida por Paulínia e Sumaré. Os Estados Unidos continuam como principal destino dos produtos exportados, enquanto a China lidera a origem das importações.
