Uma idosa, de 62 anos, foi resgatada após 49 anos de trabalho doméstico em condição análoga à escravidão em uma residência no centro de Bragança Paulista, durante uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Por falta de pagamento, os valores devidos à vítima totalizaram R$ 1,672 milhão.
Segundo informações do MPT, a idosa foi entregue pelo pai à família empregadora em 1977, quando tinha 12 anos, sob a promessa de que seria criada e estudaria. Porém, retirada da escola, ela permaneceu não alfabetizada e trabalhou na mesma residência por 49 anos ininterruptos. A fiscalização confirmou também que, em quase 50 anos, a trabalhadora nunca tirou férias ou folga semanal, trabalhando inclusive aos domingos, feriados, Natal e Ano Novo.
Em depoimento ao MPT, a vítima informou que a rotina pesada estava, inclusive, prejudicando sua saúde física e mental, assim como a sua higiene pessoal, pois não lavava os cabelos há um mês.
Até 2015, quando conseguiu se aposentar, graças a um curto tempo de registro em carteira, a empregada recebia valores pequenos, mas que eram retidos pela empregadora, que liberava eventualmente algum dinheiro para a empregada apenas quando solicitado. Desde que se aposentou, deixou de receber qualquer salário, mas seguiu trabalhando. Os valores referentes à aposentadoria da trabalhadora eram utilizados para pagar despesas da casa.
Ainda segundo o MPT, os valores devidos à vítima totalizaram R$ 1,672 milhão. O representante jurídico da família pediu prazo para manifestação, que é de 20 dias.
O MPT informou que adotará medidas necessárias para o pagamento das verbas devidas e a responsabilização dos envolvidos, e o caso será comunicado às autoridades competentes para apuração criminal.
*Sob supervisão de Felipe Pereira
