Uma denúncia de extorsão levou o Ministério Público a identificar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas envolvendo agentes públicos na região de Campinas.
A Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira, resultou na prisão temporária de um ex-estagiário do Ministério Público, de um policial civil e de um ex-policial civil.
Segundo o Gaeco, a investigação começou depois que Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, alvo de uma operação relatou ter recebido uma cobrança de R$ 500 mil para evitar a prisão e impedir que o caso fosse encaminhado ao grupo de combate ao crime organizado.
“Quando do cumprimento desse mandado, esse alvo disse que dois dias antes havia recebido uma exigência de valor de R$ 500 mil para que não fosse preso, que o caso não fosse encaminhado para o Gaeco. Essa exigência foi feita por aplicativo WhatsApp, via mensagem de visualização única”, explicou o promotor do Gaeco, Marcos Tadeu Rioli.
A apuração apontou que a mensagem teria sido enviada pelo então estagiário Gabriel Lira de Jesus. De acordo com o Ministério Público, ele contava com o apoio de um policial penal e de um policial civil para obter informações sigilosas. A defesa dele não foi localizada.
“Apurou-se que quem teria encaminhado a mensagem teria sido um estagiário do Ministério Público, contando com o apoio de policial penal e de policial civil, fornecendo também acesso a sistemas de consulta privilegiada de órgãos do Estado.”
Entre os presos está Maurício Aparecido de Oliveira, que era chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, a Dise de Campinas. Segundo o Ministério Público, ele foi filmado em um encontro com o empresário José Ricardo Ramos, investigado por lavagem de dinheiro e apontado nas apurações como suspeito de envolvimento no plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho. Dragão também é um dos suspeitos de financiar o plano.
O Grupo EP tenta localizar a defesa de Maurício
“Esse chefe dos investigadores manteve um contato clandestino com um empresário ligado ao Primeiro Comando da Capital (…) ele era o principal suspeito da execução de um plano para matar um promotor de justiça deste Gaeco”, explicou Marcos.
Também foi preso um ex-policial civil, que segundo a investigação, teria intermediado o encontro entre Maurício e José Ricardo. Ele já havia sido preso em 2008 e acabou expulso da Polícia Civil após ser condenado por um caso de extorsão.
A Operação Infiltrados é resultado de investigações iniciadas nas operações Pronta Resposta e Off White, realizadas em 2025 para apurar um plano de atentado contra um promotor do Gaeco e um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Além das prisões, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, município também no interior de São Paulo. Celulares, documentos e outros materiais recolhidos serão analisados. O Ministério Público informou que os investigados ainda serão ouvidos.
O caso é apurado pelos crimes de organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e extorsão.
