As dívidas das famílias paulistas cresceram 36,8% nos primeiros quatro meses deste ano. Segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, o valor das contas em atraso chegou a R$ 55 bilhões entre janeiro e abril.
Por trás desse aumento estão histórias como a da aposentada Sandra Moreira. Ela conta que o endividamento começou depois de um problema de saúde da mãe. Para ajudar com as despesas, recorreu ao cartão de crédito. O que parecia uma solução momentânea acabou se transformando em uma dívida difícil de controlar.
Sandra chegou a renegociar os débitos, mas não conseguiu manter as parcelas em dia. Com juros e encargos, a dívida que começou em cerca de cem reais saltou para cinco mil. Hoje, ela convive com cobranças frequentes e com o medo de novas restrições financeiras.
De acordo com a Fecomercio, o avanço do endividamento tem relação com a pressão sobre o orçamento das famílias, os juros elevados e a dificuldade de equilibrar as contas. A entidade também aponta o crescimento das apostas online como um dos fatores que têm comprometido a renda de parte da população.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de buscar ajuda antes que a situação se agrave. A educadora financeira Júlia Lázaro destaca que é preciso diferenciar quem está endividado de quem já está inadimplente, ou seja, deixou de pagar as contas.
Segundo ela, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da vida financeira. A recomendação é listar receitas, despesas e dívidas para entender o tamanho do problema e definir prioridades. Só depois disso vale partir para uma renegociação.
Os feirões de negociação também podem ser uma alternativa para reduzir juros e conseguir melhores condições de pagamento. Mas o alerta é para assumir apenas parcelas que realmente caibam no orçamento.
