O Ministério Público afirma que a Usina São José continuou a poluir o Rio Piracicaba mesmo depois da mortandade de peixes registrada em julho de 2024. A informação consta em manifestação enviada à Justiça no dia 6 de julho.
Segundo o órgão, laudos da Polícia Federal indicaram que o despejo de resíduos ficou até 58 vezes acima do limite permitido. Os documentos também apontaram descarte irregular de efluentes da atividade sucroenergética e tentativas de esconder vestígios do material.
A tragédia ambiental atingiu a região do Tanquã, conhecida como mini-pantanal paulista. Foram cerca de 253 mil peixes mortos em um trecho de 70 quilômetros do rio.
Os laudos técnicos mostraram alta concentração de matéria orgânica na água. Esse tipo de poluição reduz o oxigênio disponível e impede a sobrevivência dos peixes.
A perícia também identificou ligações entre tanques da usina e o ribeirão que deságua no Piracicaba, o que indicaria o caminho dos contaminantes.
Relatos de testemunhas reforçam as suspeitas. Um ex-funcionário disse que recebeu ordem para esconder restos de melaço na vegetação antes da chegada da fiscalização. Outros depoimentos apontaram que a abertura de válvulas para descarte de resíduos ocorria de forma frequente durante a noite.
O Ministério Público destacou que as provas reunidas após a investigação são consistentes e foram incluídas no processo.
A usina negou responsabilidade pelo episódio e informou que considera as acusações indevidas. A empresa também rejeitou um acordo proposto pelo Ministério Público.
O termo previa indenização a pescadores afetados, repovoamento do rio e ações de recuperação ambiental. Mesmo com a negativa, o caso segue na Justiça.
A usina foi multada em R$ 18 milhões pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. O valor foi atualizado para R$ 21,9 milhões, mas não foi pago.
Dois anos depois do desastre, especialistas avaliam que a recuperação do rio pode levar até nove anos.
