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Contêineres de lixo no meio da rua viram dor de cabeça para motoristas e pedestres

Implantados para mecanizar a coleta, dispositivos se misturam aos carros e aumentam risco de acidentes
lixo
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Os contêineres verdes organizaram, facilitaram o processo de coleta e tornaram o processo mais limpo para os coletores de lixo.

Mas a falta de padrão na instalação desse dispositivo tem gerado perigo para pedestres e também para motoristas na região Central de Campinas.

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A reportagem da CBN Campinas mapeou ao menos 12 pontos na região Central em que a caçamba atrapalha o fluxo dos automóveis ou a caminhada dos pedestres.

Em algumas vias, o calçamento não permite acomodar o contêiner e o pedestre. A solução é deixar uma parte sobre a via e outra sobre a calçada.

Mas se pela regra de trânsito os automóveis não podem ficar parados em linhas de bordo, ao lado das sarjetas, por que uma caçamba de lixo poderia? É o que o motoboy Francis também pergunta.

“Tem muitos casos no meio da rua. Às vezes atrapalha até o pedestre na calçada. Às vezes, o morador de rua também vai procurar uma reciclagem e também deixa fora do lugar. Acontecem diversos casos”, comenta.

Subindo a Irmã Serafina, o tatuador Gabriel se espreme entre um poste e uma caçamba para poder chegar à Moraes Salles.

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“Teria que ter um meio termo para poder ficar legal. Eu já vi acidente de moto, de carro. Bate retrovisor. Teria que mudar um pouco”, cobra.

Mas as caçambas também se tornaram símbolos de um problema social: o das pessoas em situação de rua.

O Roberto trabalha como motorista de aplicativo, e conta já ter visto pessoas que usam os contêineres para fazer necessidades. Outros relatos também dão conta de que o espaço é usado para procurar alimentos.

“Eles obstruem. Muitas vezes que eu guardo o meu carro e eu quero vir para a minha casa, eu tenho que dar uma volta na quadra porque tem uma pessoa na rua fazendo as necessidades no meio da calçada”, descreve.

Por outro lado, as caçambas também são elogiadas pela facilidade de descarte de resíduos, que deixaram de ser deixados tão espalhados.

Mas a zeladoria está longe de ser perfeita. A Carla trabalha na Rua César Bierrembach, e reclama do mau cheiro causado pela falta de limpeza dos dispositivos.

“Porque elas ficam muito sujas, fedendo. A gente não aguenta. Como a gente trabalha no centro, fica essa ‘carniça’ na frente do meu estabelecimento”, critica.

Conservados ou não, os contêineres de lixo de Campinas compartilham um mesmo problema: em muitos casos, estão mal instalados.

O especialista em Mobilidade Urbana, Luiz Vicente Figueira de Mello, explica que o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) não possui uma resolução específica para orientar onde as lixeiras devem ser instaladas.

Nesse caso, cabe o bom senso de quem tem acesso aos dispositivos, para permitir que as lixeiras não sejam reposicionadas em locais perigosos.

“Fica claro que, dependendo da circunstância, o risco é maior. Hoje, há um buraco em como orientar essa lixeira para que, de fato, ela possa ser utilizada – e é muito útil para coletar lixo orgânico – mas por outro lado ela também precisa de lugar adequado para evitar qualquer tipo de acidente. Além disso, o fato de ela estar na faixa de rodagem, também reduz o fluxo de veículos. Isto é: também acaba reduzindo a passagem de veículos dependendo de onde está”, avalia.

Segundo a Prefeitura de Campinas, a cidade tem 7.110 contêineres instalados em 2026, com foco nas regiões Central, de Sousas, Joaquim Egídio e Barão Geraldo.

Nos últimos dois anos, houve apenas um registro oficial de deslocamento de contêiner, causado por uma enxurrada.

O município também prevê aumentar a oferta dos contêineres, a partir da nova licitação do lixo.

Sobre o desafio das pessoas em situação de rua, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social ressaltou a existência do Serviço de Abordagem Social de Pessoas em Situação de Rua, mas lembrou que a adesão é voluntária.

Destacou também as unidades de acolhimento, como os Centros POP Sares e o Serviço de Aclhimento e de Referenciamento Social; além do albergue municipal, o “Samim”.

Por fim, destacou que os contatos para indicar que uma pessoa em situação de rua pode precisar de ajuda podem ser feitos pelo telefone 156.

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