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Ex-inspetor da Anac relatou irregularidades na Voepass anos antes do acidente

Um ex-inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, fez alertas sobre problemas de manutenção e segurança envolvendo a empresa que deu origem à Voepass anos antes do acidente que matou

Voepass
Foto: Reprodução

Um ex-inspetor da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, fez alertas sobre problemas de manutenção e segurança envolvendo a empresa que deu origem à Voepass anos antes do acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo. Os documentos foram apresentados pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo. 

O servidor recomendou em 2019 a suspensão da autorização de voo da antiga MAP Linhas Aéreas, que mais tarde se uniu à Passaredo para formar a Voepass. Ele apontou indícios de utilização de peças sem a devida avaliação de segurança. 

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Em 2022, o inspetor voltou a fazer alertas. Dessa vez, informou que peças de uma aeronave que sofreu um acidente em Rondonópolis, em Mato Grosso, estariam sendo reaproveitadas de forma irregular. 

Sem providências internas, o servidor levou os questionamentos a órgãos internacionais da aviação. Depois disso, passou a responder a um processo administrativo por insubordinação e acabou exonerado da Anac no ano passado, após 16 anos de atuação. 

As revelações surgem poucos dias depois da apresentação do relatório final da Polícia Federal sobre a queda do voo 2283 da Voepass. 

A investigação concluiu que o acidente foi resultado de uma combinação de falhas no sistema de degelo, omissão de registros técnicos, problemas de manutenção, descumprimento de procedimentos operacionais e falhas de supervisão. 

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A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à empresa. Entre elas estão o controlador da companhia, José Luiz Felício Filho, além de diretores de manutenção, segurança operacional, treinamento de pilotos, operações e despacho de voos. 

Segundo a PF, a empresa mantinha uma cultura de não registro de falhas. O relatório aponta que alertas do sistema de degelo eram frequentemente apagados por meio de reinicializações do equipamento sem que os problemas fossem lançados nos registros de manutenção, o que impedia a adoção de restrições operacionais. 

A investigação também questiona a atuação da Anac, já que a agência recebeu denúncias e identificou irregularidades antes do acidente, mas as medidas adotadas não foram suficientes para interromper os riscos operacionais. Por isso, a Polícia Federal sugeriu ao Ministério Público Federal a apuração de eventuais responsabilidades relacionadas à fiscalização exercida pela agência. 

A autorização de operação da Voepass só foi cassada pela Anac em junho de 2025, cerca de dez meses depois da queda do avião em Vinhedo. 

Em nota, a Anac informou que os apontamentos envolvendo a aeronave acidentada em Rondonópolis foram analisados na época e que as peças passaram pelas verificações previstas nas normas do setor. A agência também informou que abriu um procedimento interno para apurar a eventual responsabilidade de servidores citados nas investigações.

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