A Polícia Federal investiga se os pesquisadores Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller usaram a estrutura e os recursos da Unicamp para impulsionar a AgroTRIX. A empresa do casal foi criada para desenvolver vacinas orais para o agronegócio.
Os investigados apostam no desenvolvimento de tecnologias para reduzir custos e facilitar a aplicação de vacinas em larga escala. A apuração ocorre no contexto do desaparecimento de amostras virais de laboratórios da universidade. Os agentes encontraram materiais biológicos até na cozinha do casal.
Por enquanto, não há comprovação nos autos de que as amostras desaparecidas beneficiaram a startup ou de que houve favorecimento privado.
A Unicamp concluiu uma sindicância sobre o suposto furto e instaurou um processo administrativo para apurar as infrações dos envolvidos.
O inquérito aponta que a Polícia Federal localizou materiais em três locais. Na casa do pesquisador, seis caixas com amostras biológicas estavam no congelador da cozinha, ao lado de uma embalagem de frango congelado. A inspeção indicou que alguns frascos podem estar associados a patógenos de saúde animal ou humana, mas os códigos internos não permitiram confirmar a origem exata.
Na Faculdade de Engenharia de Alimentos, cinco caixas com material biológico estavam em um ultracongelador a 80 graus Celsius negativos.
E no Instituto de Biologia, os materiais estavam escondidos no subsolo e no andar térreo. Os policiais acharam tubos com substâncias identificadas como vírus e equipamentos de proteção descartados na lixeira. Frascos vazios também foram achados no lixo de resíduos contaminados.
Estudantes também encontraram um tubo identificado como H1N1 em um freezer mantido a 20 graus Celsius negativos, temperatura inadequada para a conservação. A amostra estava entre as cepas retiradas do Instituto de Biologia.
Imagens de câmeras de segurança e dados de biometria mostram Soledad e Michael entrando em áreas restritas e saindo com amostras. O caso é investigado como furto qualificado por abuso de confiança. Pelo menos 24 cepas de vírus foram retiradas e localizadas em outros prédios da própria universidade.
As gravações mostram que o veterinário circulava pelos laboratórios em horários noturnos, fins de semana e no recesso acadêmico. Ele trabalhou na área de biossegurança máxima sem utilizar os equipamentos de proteção obrigatórios para manipular agentes como dengue, chikungunya, zika, H1N1 e coronavírus.
A professora Soledad também circulou por áreas restritas mesmo após se desligar do grupo de pesquisa, em janeiro de 2025. A defesa do casal não foi localizada para comentar o caso.
