O primeiro porco clonado do Brasil, criado como parte de um projeto que busca desenvolver transplantes de órgãos de animais para humanos, foi eutanasiado no fim de julho. O animal nasceu em abril deste ano no Instituto de Zootecnia de Piracicaba e tinha quase quatro meses de vida.
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o procedimento já estava previsto no protocolo científico. A antecipação ocorreu por causa das dificuldades financeiras enfrentadas pelo projeto.
A equipe informou que o animal apresentou bom desenvolvimento e atingiu todos os objetivos previstos nesta fase da pesquisa. O acompanhamento serviu para avaliar a saúde, o crescimento e outras características biológicas importantes para as próximas etapas do trabalho.
O nascimento do porco foi considerado um marco para a ciência brasileira porque comprovou a eficácia da técnica de clonagem desenvolvida pela equipe. Os pesquisadores avaliam que o resultado coloca o Brasil em posição de destaque na área.
Após o procedimento, o animal passou a integrar um processo de taxidermia, conhecido popularmente como empalhamento. A previsão é que ele fique em exposição no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
O projeto começou entre o fim de 2019 e o início de 2020 e reúne diferentes instituições de pesquisa. Segundo os responsáveis, a iniciativa sofreu impacto com atrasos e dificuldades na liberação de recursos para manutenção da estrutura, pagamento de profissionais e cuidados com os animais.
Em nota ao g1 Piracicaba, o Ministério da Saúde informou que o estudo integra o Programa Genomas Brasil e já recebeu R$ 6,15 milhões de um total de R$ 11,6 milhões aprovados. A pasta afirmou que os repasses dependem do cumprimento de etapas do projeto, aprovação de prestações de contas e disponibilidade orçamentária.
A próxima fase da pesquisa prevê a produção de porcos geneticamente modificados. Esses animais poderão ser usados em estudos voltados ao xenotransplante, técnica que busca utilizar órgãos de animais em transplantes para seres humanos.
Atualmente, Estados Unidos e China lideram pesquisas nesse setor. Os pesquisadores brasileiros acreditam que o país tem condições de se tornar o terceiro no mundo a realizar esse tipo de procedimento em humanos.
