A Polícia Civil prendeu, em Mogi Mirim, o principal suspeito de assassinar o advogado Lucas Lopes, de 30 anos.
A prisão é temporária e ocorreu na sexta-feira (14), mas ele só foi levado à delegacia nesta segunda-feira (17) em razão de uma pendência técnica do sistema.
O homem tem cerca de 30 anos e confessou o crime. Ele está desempregado e é a mesma pessoa contra quem Lucas Lopes já havia registrado um boletim de ocorrência no ano passado.
Ainda segundo a corporação, ele teria tido a ajuda de um segundo suspeito, que já foi identificado, mas os detalhes ainda estão sob sigilo da investigação.
O suspeito foi detido quando voltava para casa à pé, depois de ter buscado o filho na escola.
Nos últimos dias, ele vinha tentando usar disfarces para despistar a apuração policial.
O delegado Fábio Chrysóstomo afirmou se tratar de um crime de ódio, mas os detalhes não foram antecipados à imprensa. Antes, ele teria uma reunião com os familiares para explicar as investigações.
“O suspeito e a vítima já se conheciam, há um vínculo prévio. A motivação envolve muito a intimidade da família, não posso antecipar. A deficiência foi um fator decisivo porque dificultou a defesa dele. Tinha marcas de defesa no corpo encontrado, e isso permitiu que os agentes [da agressão] atuassem de forma mais livre”, observou.
O delegado também explicou que o homem tem passagens por brigas e perturbação do sossego, além de crimes patrimoniais.
Duas das principais evidências para a investigação, os telefones celulares da vítima e do suspeito, foram danificados. Entretanto, a Polícia conseguiu imagens de câmeras de segurança que mostram o suspeito dirigindo o carro de Lucas. Parte das gravações mostram o homem abastecendo o carro antes de incendiá-lo, além de seguir por vias para evitar câmeras de monitoramento.
“Já ouvi também a mãe e a irmã. Ambas confessaram que foi ele que realizou o assassinato do Lucas. Ele tem se mostrado, a princípio, bastante colaborativo com a Polícia, respondendo a todos os questionamentos que são feitos a ele”, comentou.
Relembre o crime
O crime ocorreu em 2 de agosto, quando o corpo da vítima foi encontrado carbonizado depois de um dia desaparecido. Já o veículo foi localizado incendiado na zona rural de Mogi Mirim.
Lucas Lopes era amplamente conhecido na região por sua luta em defesa da causa da Pessoa com Deficiência. Formado em Direito pela PUC-Campinas, o advogado também tinha Mestrado em Direitos Humanos e, atualmente, cursava o doutorado na USP.
Desde 2020, ele integrava as comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência, na OAB Campinas. Entre 2023 e o início de 2026, também atuou como paciente e diretor-secretário da Casa da Criança Paralítica de Campinas.
