O presidente da Câmara de Sumaré, Hélio Pereira da Silva (Cidadania), foi levado para a sede da Polícia Federal em São Paulo. Ele foi preso nesta quarta-feira (9) durante a Operação Archimagus.
A operação investiga uma associação suspeita de tráfico de drogas na região de Campinas. Segundo uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, Hélio é apontado como uma das lideranças do grupo.
Ainda de acordo com a investigação, ele era conhecido no meio criminoso como “Mister M”. Hélio teria financiado a compra de drogas e mantinha ligação direta com um dos outros presos na operação.
Hélio foi detido em casa, em um condomínio em Paulínia. A Polícia informou que ele possui diversas passagens na Justiça, como por receptação, porte de arma e homicídio.
Maikon Baptista da Costa é apontado como responsável por gerenciar pontos de venda de drogas em Sumaré. Ele também foi preso nesta quarta-feira.
Na casa do parlamentar, os policiais apreenderam duas armas, 105 munições, dinheiro, celulares, documentos e joias. A Polícia Ambiental também apreendeu duas aves: uma arara e uma maritaca.

Outros investigados
A decisão do Tribunal de Justiça também descreve a função atribuída aos outros investigados. Silvanir Alves seria responsável pelo controle de acesso a um sítio em Jacutinga, no Sul de Minas. Segundo a investigação, o local era usado para armazenar drogas.
Juraílton Rosa dos Santos é apontado como responsável por entregas e pela arrecadação de dinheiro. Já Claudio Miguel da Costa seria o contato operacional do grupo. Os três foram alvo de mandados de busca e apreensão.
A investigação também aponta encontros frequentes de Hélio com os envolvidos. Esses encontros teriam ocorrido, inclusive, em locais apontados como pontos de venda de drogas.
Ainda segundo a decisão, Hélio pode ter transportado sacolas com dinheiro em espécie em um veículo oficial da Câmara de Sumaré. A investigação apura também se recursos ilícitos foram usados para financiar atividades político-eleitorais.
Hélio tem 55 anos e foi reeleito vereador de Sumaré em 2024, com 1.916 votos. Ele é candidato a deputado federal nas eleições deste ano.
O que disse a Câmara Municipal de Sumaré
A Câmara informou que os fatos divulgados nesta quarta-feira (9) dizem respeito a uma investigação de caráter pessoal envolvendo o vereador e presidente Helio Silva. Até o momento, não há qualquer informação que relacione o caso às atividades institucionais do Poder Legislativo.
A defesa jurídica pessoal do vereador está realizando o levantamento das informações e dos fatos relacionados à investigação, para que os esclarecimentos sejam apresentados no momento adequado.
A Câmara Municipal de Sumaré reforça seu compromisso com a transparência e legalidade.
Por fim, ressalta que o vereador, assim como qualquer cidadão, está amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência.
Posicionamento do Tribunal Regional Eleitoral
O Tribunal Regional Eleitorial também foi questionado sobre a situação do vereador, a candidatura como deputado federal para as eleições e a Lei da Ficha Limpa.
Em nota, o TRE informou que o registro de candidatura de Helio Silva foi julgado deferido em 6 de setembro. A decisão está no prazo para recurso.
“No processo de registro foram apresentadas pelo candidato certidões criminais negativas, conforme determina a legislação, para que fosse verificado se havia alguma causa de inelegibilidade que impedisse a candidatura.
As hipóteses de inelegibilidade referidas na Lei da Ficha Limpa, que alterou a Lei Complementar 64/90, impedem candidatos condenados por órgãos colegiados de segunda instância de participarem de eleições.
Ademais, as questões concretas poderão ser apreciadas pela juíza ou juiz responsável em eventual recurso ou ação própria. Não há possibilidade de emissão de juízo prévio pela Justiça Eleitoral.”
