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Unicamp reúne referências mundiais em pesquisa sobre microplásticos para debater problema e discutir soluções

O que a ciência já sabe sobre os microplásticos? E o que ainda precisa ser descoberto para enfrentar esse problema? As partículas invisíveis do resíduo já chegaram ao ar que

Unicamp reúne referências mundiais em pesquisa sobre microplásticos para debater problema e discutir soluções
Foto: Divulgação

O que a ciência já sabe sobre os microplásticos? E o que ainda precisa ser descoberto para enfrentar esse problema? As partículas invisíveis do resíduo já chegaram ao ar que respiramos, à água que bebemos e aos alimentos que consumimos.

Essa é uma das questões discutidas nesta semana por pesquisadores de diferentes partes do mundo, que estão reunidos na Unicamp, em Campinas. A universidade recebe especialistas brasileiros e estrangeiros para reunir o conhecimento produzido até agora. A partir dessas evidências, a ideia é pensar em soluções para reduzir a poluição por plástico.

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“Primeiro que eles não deveriam estar onde eles estão. Então nós não evoluímos, não tivemos a pressão evolutiva para microplásticos. Então a gente tem esse primeiro problema.”

Walter Waldman é professor da UFSCar de Sorocaba e vice-coordenador da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos. O evento reúne mais de 100 estudantes e pesquisadores de diferentes áreas. Eles discutem a presença dessas partículas na água, no solo, na atmosfera e nos organismos vivos.

Uma das preocupações é entender não apenas o microplástico, mas também as substâncias químicas que podem estar presentes nele.

“Com a questão da poluição plástica, a gente já vem acompanhando um avanço na preocupação. (…) A gente estende, porque fica mais fácil da gente explicar. Bom, se tem plástico, tem microplástico ou pode formar, então fica mais fácil de ter essa conscientização.”

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Os pesquisadores alertam que o plástico pode conter milhares de substâncias químicas. Parte delas tem toxicidade conhecida. Muitas outras, porém, ainda não foram suficientemente estudadas.

Quando o plástico se fragmenta no ambiente, essas substâncias podem ser liberadas. As próprias partículas também são investigadas pelos possíveis efeitos no organismo.

A ciência brasileira já avançou na identificação desses materiais. Uma pesquisa realizada por pesquisadores brasileiros, com análises no CNPEM, em Campinas, identificou microplásticos no cérebro humano.

“O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, em Campinas, ele teve nas suas instalações uma pesquisa sobre microplásticos no cérebro (…) e o time de pesquisadores que participou da pesquisa era de 100% de brasileiros.”

Mas a proposta da escola não é apenas reunir descobertas. Os pesquisadores querem usar as evidências produzidas pela ciência para pensar no que pode ser feito daqui para frente.

Uma das possibilidades é redesenhar os próprios plásticos. A ideia é considerar não apenas a função do material. Mas também os impactos ambientais e à saúde, como explicou a professora do Instituto de Química da Unicamp e coordenadora da ESPCA em Microplásticos, Cassiana Montagner.

“A gente está falando de entender que o problema existe e a partir dele, saber como a gente pode repensar a produção de plásticos. A gente está falando em pesquisa e desenvolvimento, novas tecnologias, porque somos muito criativos para isso. Agora, olhando não só para um design de material que atenda aquele objetivo, mas que atenda e seja ambientalmente protetivo.”

Pesquisadores Unicamp microplasticos
Foto: CBN Campinas

Para os pesquisadores, esse caminho também passa pelo poder público. É preciso criar políticas que estimulem novos materiais. Também é necessário reduzir o uso de produtos descartáveis e levar em conta a toxicidade das substâncias usadas na fabricação dos plásticos.

A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos segue até o dia 11 de setembro, na Unicamp. A proposta é transformar o conhecimento acumulado em evidências que ajudem nas soluções contra a poluição por plástico.

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