Durante anos, esses jovens ficaram conhecidos como geração “sem-sem”, termo usado para definir quem está sem estudo e sem trabalho.
Mas o estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que a maioria deles está longe da ideia de inatividade.
O número de jovens que não estudam nem trabalham caiu para 8 milhões e 800 mil no segundo trimestre deste ano, o menor patamar dos últimos dez anos.
Esse grupo representa quase 18% dos brasileiros de 14 a 29 anos. Durante a pandemia, por exemplo, eram 14 milhões e 500 mil jovens nessa situação.
Segundo o economista do Dieese, Gustavo Monteiro, seis em cada dez jovens desse grupo estão envolvidos em outras atividades. Muitos procuram emprego, fazem cursos ou cuidam da casa e da família. A redução no número de jovens que não estudam nem trabalham acompanha uma melhora no mercado de trabalho.
Entre os brasileiros de 14 a 29 anos, a taxa de desemprego caiu de 16,6% em 2022 para 10% no segundo trimestre deste ano. É o menor índice da série histórica.
Segundo Gustavo, essa mudança tem relação com a ampliação do acesso à educação e também com a recuperação do mercado de trabalho nos últimos anos.
No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego entre quem tem de 14 a 29 anos era de 10%. Entre os trabalhadores com 30 anos ou mais, ficou em 3,7%.
A diferença mostra que conseguir uma vaga ainda é um desafio maior para quem está começando a vida profissional. Gustavo comenta que além, do acesso ao emprego, os jovens ainda enfrentam outros desafios.
Segundo o estudo, uma das barreiras para conseguir a primeira oportunidade é a falta de experiência. É uma dificuldade que fez parte da trajetória do estagiário Danilo Carneiro, que conta como conseguiu ingressar no mercado de trabalho. Danilo defende que as empresas deem mais espaço para os jovens assumirem novas responsabilidades.
O estudo mostra que fatores como renda, escolaridade e condições de acesso ao mercado de trabalho influenciam diretamente as oportunidades de emprego.
Para o estudo, investir na qualificação dos jovens é um passo importante para melhorar as oportunidades no mercado de trabalho.
