O Ministério Público abriu um inquérito civil para apurar os impactos ambientais causados pelo derramamento de cerca de 45 mil litros de óleo diesel após o tombamento de um caminhão em Campinas. O combustível atingiu o Córrego Anhumas e o Rio Atibaia e provocou reflexos no abastecimento de água em Sumaré, Paulínia, Nova Odessa e Americana.
A investigação foi instaurada pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema). O objetivo é identificar os responsáveis pelo acidente e buscar a reparação integral dos danos ambientais, individuais e morais coletivos.
O acidente aconteceu em 12 de outubro, na alça de acesso da Rodovia Dom Pedro I (SP-065) para a Rodovia Governador Doutor Adhemar Pereira de Barros (SP-340), em Campinas. Segundo a concessionária Rota das Bandeiras, o motorista perdeu o controle da direção e o caminhão tombou. Ninguém ficou ferido, mas a carga de diesel vazou para a pista, o solo e o sistema de drenagem de água da rodovia.
De acordo com a portaria do Ministério Público, o combustível se espalhou pela bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). A mancha levou à interrupção emergencial da captação de água para abastecimento em Sumaré e alcançou áreas de preservação em Paulínia, além de regiões próximas à captação Santo Ângelo e à Represa do Salto Grande, entre Nova Odessa e Americana.
Entre as medidas determinadas pelo Ministério Público estão a identificação de todos os envolvidos no transporte da carga, incluindo contratantes, transportadora e empresas responsáveis pelo atendimento emergencial. Também serão avaliados os danos à fauna, à flora, aos ecossistemas aquáticos e à qualidade da água destinada ao consumo humano.
A investigação ainda vai analisar os planos de contingência adotados após o acidente, as ações de contenção e remediação e a eventual ocorrência de crimes ambientais e de trânsito.
Segundo a Polícia Militar Rodoviária, a fiscalização identificou irregularidades no transporte. Entre elas, resultado positivo no teste do bafômetro do motorista, cronotacógrafo com verificação vencida e divergência nos painéis de segurança que identificavam a carga transportada.
Após o tombamento, equipes da Polícia Militar Rodoviária, Corpo de Bombeiros, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da empresa especializada em emergências ambientais trabalharam na contenção do combustível e na limpeza das áreas atingidas. A alça de acesso chegou a permanecer interditada por mais de um dia para os trabalhos de remoção do caminhão e descontaminação do local.
