Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia, com apoio do Gaeco de Campinas e do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), cumpriu nesta quarta-feira (7) três mandados de busca e apreensão em Campinas. As ações ocorreram nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte.
A chamada Operação Trevo do Infortúnio chegou à terceira fase e teve como alvo um homem investigado por fornecer máquinas caça-níqueis para uma organização criminosa que atuava em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Em um apartamento, no Jardim Boa Esperança, os promotores e policiais localizaram R$ 63 mil, 424 mil guaranis paraguaios (que equivalem a R$ 361) e 730 euros (cerca de R$ 9,5 mil). Diversos dispositivos eletrônicos, conhecidos como noteiros, também foram encontrados. Esses equipamentos são “o coração” da máquina caça-níquel.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, a investigação apontou que o grupo explorava jogos de azar há mais de 30 anos e também praticava lavagem de dinheiro. Cinco pessoas foram denunciadas. Além disso, foram firmados três acordos de colaboração premiada e 11 acordos de não persecução penal. A operação permitiu a recuperação de mais de R$ 27 milhões aos cofres públicos.
De acordo com o Gaeco, o investigado em Campinas fornecia equipamentos que eram formalmente cedidos por meio de contratos de locação e documentos fiscais considerados falsos pela investigação. Na prática, a remuneração seria calculada com base na arrecadação obtida pelas máquinas.
Os investigadores também identificaram pagamentos em dinheiro, cheques e movimentações financeiras feitas por terceiros. Segundo o Ministério Público, esses mecanismos eram usados para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.
A apuração ainda mostrou que equipamentos ligados à empresa do alvo eram usados na exploração ilegal de jogos em Minas Gerais, Tocantins e Goiás.
A primeira fase da Operação Trevo do Infortúnio ocorreu em 1º de dezembro de 2022, com o cumprimento de mandados em Uberlândia. Já a segunda fase foi realizada em 20 de abril de 2023, quando foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais e em Goiânia. Na ocasião, a Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de 23 investigados para garantir até R$ 36 milhões.
O nome da operação faz referência ao símbolo de um trevo, identificado em pontos de apostas ligados ao grupo investigado.
