Em coletiva de imprensa, o ex-secretário municipal da Fazenda, Marcelo Pigatto, assumiu a responsabilidade de a aplicação financeira dos recursos da Prefeitura de Indaiatuba com o banco BVA, que está sob intervenção federal. Ele falou nesta quarta-feira, dia 21, no paço municipal da cidade juntamente com o corregedor geral do município e vice-prefeito dr. Antônio Carlos Pinheiro (PTB), o secretário municipal de Governo Odair Gonçalves, o secretário municipal de Negócios Jurídicos Wanderley Jose Boni e o secretário geral do município Samir Maurício de Andrade. O dinheiro da prefeitura de Indaiatuba, bloqueado pelo Banco Central e que está aplicado no BVA é de R$46,5 milhões.
“Quero destacar que sou totalmente responsável pela aplicação feita dos recursos da Prefeitura no banco BVA, que era um banco credenciado e autorizado pelo Banco Central, oferecendo ainda o melhor rendimento, de cerca de 16%”, explicou ele. Pigatto afirmou que as aplicações no BVA ocorriam desde 2009 porque acreditava ser mais vantajoso para o município e que a operação não foi questionada pelo Tribunal de Contas do Estado. Ele acredita que pelas explicações que deu, não teria cometido irregularidades: “não cometi nenhum irregularidade, apliquei os recursos da maneira que julguei mais vantajoso para o município. Para se ter ideia de como esta intervenção pegou todos os investidores de surpresa, um dia antes de ser determinada, o BVA estava captando recursos no mercado com a anuência do Banco Central”, afirmou. “Também tive acesso a um relatório da consultoria KPMG, do 2º semestre deste ano, que não apontava nenhuma irregularidade, apenas problemas contábeis internos”.
Enquanto não houver o mérito final pelo Banco Central, o dinheiro da Prefeitura de Indaiatuba continuará bloqueado, mas continuará rendendo com correção monetária. Para tentar devolver o dinheiro aos cofres públicos, o setor jurídico da Prefeitura já entrou com recurso no Banco Central.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Indaiatuba, nenhum secretário da administração irá comentar o assunto e tão menos a exoneração de Pigatto, apesar do relatório apontar que ele não cometeu nenhuma irregularidade. A justificativa da exoneração do ex-secretário veio por nota oficial e nela o motivo da dispensa seria “quebra de confiança na capacidade administrativa de Marcelo Pigatto”.
O caso BVA (fonte – Jorna Valor) – Dono de uma gestora de recursos, o banco BVA usava a Vitória Asset Management como um braço para obter liquidez e até mesmo capital para a instituição financeira. O banco está sob intervenção do Banco Central (BC), com um passivo a descoberto de R$ 550 milhões.
O BVA tinha quatro fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que somavam patrimônio líquido de R$ 862 milhões e contavam com 134 cotistas. Os empréstimos foram originados pelo BVA e, posteriormente, vendidos aos fundos de recebíveis, em uma prática bastante comum entre os bancos médios para captar recursos.
No final de outubro a agência de classificação de risco Austin Rating rebaixou a nota de três fundos de recebíveis do BVA. Os fundos BVA Master II e III e o Multisetorial Itália tiveram a nota rebaixada pela Austin em função do aumento da inadimplência nas carteiras, que saltou para até 7%, ante um patamar que variava entre 0,1% e 1,8% no fim de 2011 e continuam em observação negativa.
Na semana passada, duas carteiras administradas pela BRL, os fundos multimercado de crédito privado Salus e Providentia foram fechados para resgate. No final de 2011, algumas carteiras que eram geridas pela Vitória Asset, que somavam R$ 400 milhões de patrimônio, foram repassadas para a BRL após a entrada do BVA como sócio da gestora. Em 1º de outubro deste ano a sociedade com o banco foi desfeita.

