O ex-porteiro de uma escola particular de Campinas procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de racismo que sofreu no trabalho.
Rodnei Ferraz conta que foi xingado por alunos de “negro sujo”, “macaco” e “sub-raça”. E depois de denunciar o fato à direção, acabou demitido.
Segundo Rodnei, o caso ocorreu no dia 15 de dezembro, na unidade de um colégio particular que fica no distrito de Barão Geraldo.
O caso do porteiro é mais um de uma estatística que cresce ano a ano. Segundo o Disque 100, foram 1.088 denúncias de racismo em todo o estado de São Paulo em 2025, alta de 20,2% (foram 905 em 2024).
Só em Campinas, foram 26 denúncias em 2025, pouco mais de duas por mês. No mesmo período do ano anterior, foram 21.
O colégio Objetivo, onde aconteceu o caso, informou por nota que repudia qualquer caso de racismo, e que fez uma apuração interna do caso. A escola disse ter falado com os alunos envolvidos e as famílias, e eles negaram ter dito qualquer frase racista. A instituição afirmou ainda que o desligamento de Rodnei não teve relação com o episódio, e que está contribuindo para as investigações.
Leia nota na íntegra
O Colégio Objetivo Barão Geraldo repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito. Os valores da escola estão respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos. Trabalhos assíduos são realizados, desde a Educação Infantil, até o Ensino Médio, para a construção e o fortalecimento de princípios como respeito, empatia, convivência e responsabilidade social em diversas disciplinas e eventos.
Atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade. Em ações que desrespeitam regras, seguimos o nosso regimento interno em que, dependendo de cada situação, o aluno pode receber uma advertência, suspensão ou até mesmo expulsão, se constatado a necessidade e respeitado o caráter pedagógico.
Em relação ao fato objeto da matéria jornalística, a escola faz os seguintes esclarecimentos:Reforçamos nosso papel social e empenho em lidar com a situação de forma ética e com profissionalismo. A escola está contribuindo com as autoridades competentes.
- O Rodnei Ferraz trabalhava como porteiro na unidade desde o dia 1/8/2025;
- O tema foi tratado com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade, por isso, a escola fez contato com os alunos envolvidos, colaboradores e com as famílias;
- A acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista;
- O desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos.