O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de São Paulo abriu o estudo de tombamento do Complexo Beira Rio, em Piracicaba. O conjunto reúne a antiga fábrica Boyes, o palacete Luiz de Queiroz, a praça Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz e o Museu da Água, todos na margem do rio Piracicaba.
Com a abertura do processo, os bens receberam proteção provisória. A partir de agora, qualquer obra ou intervenção só pode ocorrer depois de análise e autorização do órgão estadual. O conselho não informou prazo para terminar o estudo, que avalia valor histórico e cultural dos imóveis, relação com a cidade e características arquitetônicas. O parecer pode levar ao tombamento estadual.
A decisão reacendeu a discussão sobre o projeto Boulevard Boyes, que prevê a demolição de seis dos treze prédios da antiga fábrica para erguer quatro torres residenciais de cerca de 90 metros. A proposta tinha sido aprovada pelo Codepac em 2023, mas o Tribunal de Justiça suspendeu o empreendimento no ano passado, depois de recurso de entidades ambientais que apontaram risco de danos ao entorno do rio. Os responsáveis pelo projeto disseram que não vão comentar.
O movimento Salve a Boyes comemorou a abertura do estudo. Para o grupo, a medida reconhece a importância histórica, cultural e simbólica do conjunto, ligado à memória industrial de Piracicaba, à formação urbana às margens do rio e à paisagem do Salto. O movimento também destacou o valor ambiental e paisagístico da área para o município e para o estado.