Três meses depois da conclusão do binário implantado no antigo Balão do Bela Vista, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, moradores da região ainda reclamam os impactos das alterações. Para os motoristas e trabalhadores do entorno, houve melhora na fluidez do trânsito, como aponta o motorista Rogério Assis.
Mas a percepção dos condutores não é o mesma para os residentes e comerciantes. Segundo os moradores, o fluxo ficou mais intenso nas vias que se tornaram mão única, aumento o barulho e impactando na estrutura das casas – principalmente com grandes veículos, como os ônibus – além da falta de estacionamento, refletindo também os comércios.
Uma distribuidora de água na Rua Leonardo da Vinci, que agora é mão única, perdeu cerca de 10% dos clientes por conta da mudança na via, como explica a comerciante Rosana Moloni.
O trecho é uma importante conexão entre Taquaral, Flamboyant, Jardim Bela Vista e Vila 31 de Março. O projeto começou a ser implantado entre setembro e novembro de 2025 e transformou radicalmente o fluxo da região.
A primeira intervenção foi a mudança da Rua Leonardo da Vinci, em outubro do ano passado. Desde aquela época, gerou descontentamento de moradores, especialmente pela perda de acesso em mão dupla e pelo aumento de tráfego em ruas residenciais estreitas.
As novas fases seguiram com ajustes nas linhas de ônibus, instalação de semáforos inteligentes, abertura do canteiro central e reconfiguração geométrica do antigo balão.
Em novembro, o binário foi concluído: a Avenida Nossa Senhora de Fátima passou a operar em sentido único (sentido bairro), enquanto a Leonardo da Vinci assumiu o sentido Centro, formando a dupla de fluxo oposto.
O especialista em trânsito, Luiz Vicente, explica que as intervenções transformaram o local em um cruzamento. Com as mudanças, houve aumento no fluxo de veículos na Avenida Júlio Prestes, nas proximidades do Taquaral.
Para ele, a comunicação para os motoristas e as orientações poderiam ter sido mais efetivas.
A CBN questionou a Prefeitura sobre reclamações registradas por danos estruturais nas casas. Na Emdec, não houve registro de queixa.