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Atendimento do CEAMO cresce e destaca importância da rede de proteção

A violência doméstica costuma seguir um padrão cíclico e reconhecer esse processo pode ser decisivo para interromper agressões e prevenir casos de feminicídio.
Atendimento do CEAMO cresce e destaca importância da rede de proteção
Joédson Alves/Agência Brasil

A violência doméstica costuma seguir um padrão cíclico e reconhecer esse processo pode ser decisivo para interromper agressões e prevenir casos de feminicídio. O alerta foi reforçado pela rede de apoio às mulheres em Campinas diante do aumento recente de registros de violência e da procura por atendimento especializado.

Segundo a assistente social Soraia Oliveira, do Centro de Referência e Apoio à Mulher, a violência raramente começa de forma brusca. Em geral, surge com comportamentos sutis, como piadas constrangedoras, controle ou humilhações, que evoluem gradualmente para agressões mais graves.

A assistente social explica que o chamado ciclo da violência costuma ter três fases. A primeira é a tensão, marcada por irritação constante, ameaças, desvalorização e conflitos frequentes. Muitas mulheres acabam minimizando esses sinais ou se culpando pelo comportamento do parceiro.

Na segunda fase ocorre a explosão, quando surgem agressões que podem ser verbais, psicológicas, morais, patrimoniais ou físicas. É o momento em que o risco aumenta e, em alguns casos, a vítima busca ajuda ou apoio.

Já a terceira fase é conhecida como lua de mel. Após a agressão, o autor demonstra arrependimento, promete mudar e adota atitudes afetuosas. Esse comportamento pode gerar esperança de mudança e dificultar o rompimento da relação. Com o tempo, porém, essa etapa tende a diminuir, mantendo o ciclo entre tensão e novas explosões.

Dados da Prefeitura de Campinas indicam que, em 2025, o serviço municipal realizou 2.103 atendimentos a mulheres em situação de violência doméstica, número 26,8% maior que em 2024. O centro oferece acolhimento psicológico e social, orientação jurídica, grupos de fortalecimento e encaminhamento para medidas protetivas quando necessário.

Outro fator apontado pelos profissionais é o isolamento social. O afastamento de familiares e amigos costuma fragilizar a vítima e dificultar a busca por ajuda. Por isso, a orientação é procurar apoio assim que surgirem os primeiros sinais de desconforto ou violência.

Em cidades que não contam com serviços especializados, mulheres podem buscar atendimento nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social, os CREAS, que realizam acolhimento, orientação e encaminhamentos dentro da rede de proteção. Municípios como Hortolândia já possuem estrutura específica, mas os centros da assistência social seguem como porta de entrada importante para apoio, informação e proteção às vítimas.

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