Um grupo de cerca de setenta funcionários da Unicamp realizou nesta quarta-feira (09/10) um ato contra a permanência dos estudantes na reitoria da universidade, ocupada desde o dia 3 de outubro. Reunidos em frente ao prédio e utilizando um carro de som, eles pediram a liberação do espaço, alegando que a decisão foi truculenta e causou danos ao patrimônio público.
O protesto, divergente da posição oficial do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, que apoia a ocupação, foi acompanhado de perto pelos alunos e também por funcionários favoráveis ao movimento estudantil. Os dois grupos também se manifestaram. Além dos gritos com palavras de ordem e da troca de vaias, algumas discussões também foram registradas, mas não houve outro tipo de confronto.
Para o representante do grupo contrário à ocupação, o funcionário da coordenadoria geral, José Braga, um debate prévio deveria ter sido proposto pelos estudantes. Ele também defende as propostas feitas pela instituição durante as negociações. Sobre a manifestação contrária à posição do sindicato da categoria, o coordenador geral da instituição, Antônio Alves Neto, alega que respeita a opinião, mas reforça a posição do STU. De acordo com ele, uma assembleia para tratar do assunto deve ser realizada.
Após o protesto e de um abraço simbólico na reitoria, que fez com que alunos colocassem as mãos nas paredes do prédio simulando uma abordagem policial, o grupo de funcionários se dispersou e estudantes do Instituto de Artes foram até o local para uma apresentação.
A ocupação na reitoria da Unicamp começou na noite do dia 3 de outubro e foi motivada, principalmente, pela possibilidade da instituição de aceitar a recomendação do governo do estado de permitir a Polícia Militar nos campi. Mesmo com a ordem da Justiça para uma reintegração de posse, a universidade já informou que pretende esgotar todas as formas de negociação antes de acionar a Polícia.