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Ambientalistas questionam projeto de hidrovia em Piracicaba

A implantação de um modal hidroviário em Piracicaba está sendo proposta pelo Governo do Estado de São Paulo para transportar carga de baixo valor agregado em grande quantidade, como celulose,

Ambientalistas questionam projeto de hidrovia em Piracicaba
A implantação de um modal hidroviário em Piracicaba está sendo proposta pelo Governo do Estado de São Paulo para transportar carga de baixo valor agregado em grande quantidade, como celulose, etanol e soja. O objetivo é ligar o Estado ao Porto do Paraná, com a extensão da hidrovia Tietê-Paraná em 45 quilômetros, permitindo a navegação […]

A implantação de um modal hidroviário em Piracicaba está sendo proposta pelo Governo do Estado de São Paulo para transportar carga de baixo valor agregado em grande quantidade, como celulose, etanol e soja. O objetivo é ligar o Estado ao Porto do Paraná, com a extensão da hidrovia Tietê-Paraná em 45 quilômetros, permitindo a navegação até o distrito de Artemis, em Piracicaba. O Governo do Estado defende o projeto enfatizando o aproveitamento múltiplo do porto Santa Maria da Serra, no interior de São Paulo, que significa que além da navegação, o empreendimento terá outras finalidades, como a geração de energia (por meio de uma pequena central hidrelétrica), a implantação de um terminal multimodal e uma plataforma logística em Artemis. Mas, para isso haveria a necessidade de fazer desapropriações, alagamento de áreas de preservação ambiental e represamento de água.

O Ministério Público fez uma recomendação à Cetesb para que seja feito um estudo complementar considerando a ferrovia como uma opção com menor impacto ambiental para o Rio Piracicaba. O promotor de Justiça do Gaema, grupo de atuação especial sobre o meio ambiente de Piracicaba, Ivan Carneiro, defende que a ferrovia vá até o já existente terminal de Santa Maria da Serra, em substituição ao projeto dessa represa, que causaria a inundação da região do Tanquã, em Piracicaba,  um santuário ecológico, região de várzea, que é usado como repouso e alimentação de aves que fazem a migração para o hemisfério norte.

O diretor do departamento hidroviário do Governo do Estado de São Paulo, Casemiro Tércio Carvalho, afirma que as aves vão se adaptar às mudanças e cita como o exemplo da águia mergulhão que até se beneficiaria com o represamento. O Estado alega também que o projeto da ferrovia custaria um bilhão de reais a mais que o da hidrovia, com impactos ambientais ainda maiores. Tércio cita ainda estudos que indicam projeto iria trazer melhoria à qualidade da água do Rio Piracicaba. Uma afirmação contestada pelo professor e especialista ambiental, Plínio Barbosa de Camargo, da equipe de pesquisadores do SENA – Centro de Energia Nuclear na Agricultura da ESALQ. Os ambientalistas questionam também que o licenciamento da barragem de Santa Maria da Serra e do porto de Artemis seja feito de forma fragmentada. O especialista em recursos hídricos e professor de Direito Ambiental da Unimep, Paulo Afonso Leme Machado, cita uma lei de política nacional de recursos hídricos que defende o licenciamento único. Os ambientalistas identificaram ainda em um estudo prévio de impacto ambiental que o projeto causa risco de inundação do Rio Piracicaba.

 

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