O relatório do Tribunal de Contas do Estado que julgou irregulares os vencimentos recebidos pelo reitor da Unicamp em 2007 repercutiu de maneira negativa no comando de greve dos trabalhadores da universidade. Segundo o TCE, naquele ano os valores recebidos por José Tadeu Jorge superaram em 110 mil reais os salários do Chefe do Executivo Estadual, o que é considerado inconstitucional. Na época, o então governador do estado, José Serra, recebia mensalmente R$ 14,8 mil.
Para um dos representantes do comando da paralisação, Antônio Alves Neto, a situação constatada pelo Tribunal expõe a desigualdade dentro da instituição. Além de Tadeu Jorge, um coordenador-geral e quatro pró-reitores também receberam em 2007 acima do teto para os servidores públicos estaduais.
Os funcionários estão paralisados na Unicamp desde o dia 23 e querem a reabertura das negociações depois que o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas congelou os salários alegando comprometimento do orçamento. O movimento, que também foi deflagrado na Usp e Unesp, tem adesão de 70% dos trabalhadores da Unicamp e conta com apoio de professores e alunos.
O envolvimento de servidores da Saúde, porém, ainda é esperado pelo coordenador do Sindicato dos trabalhadores da instituição, João Raimundo dos Santos. Segundo ele, as escalas serão montadas no Hospital das Clínicas para não afetar totalmente os atendimentos. No próximo dia 2 de junho, um ato conjunto dos trabalhadores da Unicamp, Usp e Unesp está previsto para acontecer na capital paulista.