A Polícia Federal investiga uma quadrilha que frauda boletos bancários pela internet. A estimativa é de que o valor roubado já chegue a R$ 8,5 bilhões. Ao todo, 200 mil computadores em todo o Brasil foram infectados e 500 mil documentos teriam sido alterados. Entre eles, está o pagamento que Ricardo Zimaro faria a um fornecedor no mês de junho. O procedimento, que seria parte da rotina do comerciante de Campinas, se tornou um prejuízo inevitável, já que o valor de mais de R$ 1 mil não chegou ao destino e o gasto teve que ser dobrado.
Ele conta que a mudança dos dígitos ocorre de maneira automática e que o crime só foi notado depois que empresa que receberia o valor avisou sobre a diferença nos dados do boleto. Depois de registrar um boletim de ocorrência e notificar os bancos Bradesco e Santander, envolvidos na transação, Ricardo testou novamente o sistema, que voltou a gerar documentos falsos. Outra vítima do crime, Arthur Godoy da Silva também trabalha no ramo de óticas e reclama que não obteve resposta satisfatória dos bancos. Depois de ter dois pagamentos desviados, ele afirma que redobrou a atenção, já que a confiança em serviços virtuais ficou abalada.
A suspeita da Polícia Federal é de que o golpe acontece através de um vírus, que desvia o dinheiro para as contas de terceiros. Ninguém foi preso até o momento e mais detalhes das investigações não foram divulgados.
A CBN procurou os bancos. Por nota, o Santander se posicionou sobre o caso:
“O Santander esclarece que os casos trazidos nesta reportagem tratam de fraude externa, por meio da instalação de vírus que altera o código de barras e a linha digitável dos boletos, situação que isenta o banco de qualquer responsabilidade. Com relação às contas cedidas para crédito desses valores, a instituição informa que as mesmas foram abertas seguindo estritamente todas as determinações do Banco Central mas que, ao tomar conhecimento dessas operações irregulares, procederá com o encerramento da conta corrente que recebeu o crédito fraudulento.”