A Polícia Civil de Campinas começou as investigações para apurar as responsabilidades pela morte de três pacientes do Hospital Vera Cruz, que passaram por um exame de ressonância magnética no final do mês de janeiro. O inquérito apurou que houve falha humana, já que uma auxiliar de enfermagem teria aplicado a substância perfluorocarbono na veia dos pacientes, ao invés de soro fisiológico. O produto, em contato com o sangue, causou uma embolia gasosa, que provocou a morte dos pacientes.
Nesta segunda-feira, a policia começou a ouvir os representantes responsáveis pela comercialização do produto, pelo hospital e pela RMC, empresa responsável pela realização dos exames de ressonância magnética do Vera Cruz. O primeiro a depor foi o fabricante do produto, que afirmou que vendeu a substância para uso industrial, indicado para a limpeza de equipamentos. De acordo com a delegada Cibele Sanches, o fabricante declarou que não sabia que a empresa usava o perfluorocarbono em exames e que as instruções para utilização estava devidamente indicada no rótulo das embalagens. O laudo da Polícia Civil apontou que a empresa RMC utilizava a substância em exames nos pacientes.
O diretor técnico do Hospital Vera Cruz, Vitório Verri, negou qualquer responsabilidade pela morte dos pacientes. Segundo ele, quem deve responder pelo incidente é a empresa RMC, que é terceirizada e não tem vínculo com o hospital. Vitório Verri disse ainda que a direção do Vera Cruz nem sabia que a clínica utilizava o perfluorocarbono nos procedimentos clínicos. O advogado Ralph Tórtima, que representa a RMC afirmou que as declarações do diretor técnico do Hospital não são verdadeiras. Ele afirma que 50% da RMC pertence ao Vera Cruz e que isso comprova que o serviço não é terceirizado e sim uma sociedade.
Os depoimentos continuam nesta quarta-feira, mas a polícia não informou quais serão as pessoas que serão convocadas para prestar esclarecimentos.
