Enquanto o julgamento do Caso Sanasa segue sem definição em Campinas e os recursos dos acusados do Mensalão aguardam análise do Supremo Tribunal Federal, o número de presos por crimes contra administração pública aumentou no Brasil nos últimos anos. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional, de dezembro de 2008 ao mesmo mês de 2012, houve crescimento de 133% no registro de prisões por irregularidades como corrupção e peculato. O índice, que leva em conta somente condenações, é sete vezes maior do que o registrado na população carcerária total. Atualmente, 2,7 mil pessoas cumprem pena no País por crimes ligados à administração pública.
Mesmo com os números, de acordo com o professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano, a prestação de contas no Brasil relacionada às ações dos políticos ainda são insuficientes. Além disso, segundo Romano, as discussões na Câmara dos Deputados sobre a Proposta de Emenda Constitucional 37, que retira os poderes de investigação do Ministério Público, são uma ameaça. Segundo ele, caso a PEC 37 seja aprovada, a medida será instrumento para um Golpe de Estado.
Em andamento desde abril de 2011, o Caso Sanasa, suposto esquema de desvio de dinheiro público envolvendo o alto escalão da Administração Municipal de Campinas, teve o julgamento suspenso pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O Tribunal aceitou o pedido da defesa do réu Ricardo Cândia, ex-diretor de planejamento da Prefeitura, que alegou restrição do direito de defesa em novas acusações. A suspensão vale até que seja julgado o habeas corpus impetrado pela defesa de Cândia, o que deve acontecer nos próximos meses.
Já o julgamento do Mensalão, apontado como esquema de financiamento ilegal de parlamentares em troca de apoio político ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depende da análise dos recursos dos acusados. O trabalho será feito pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, e a expectativa é de que todos os ministros tenham acesso aos documentos. Porém, não há prazo para isso.
