O número de mortes registrados nos canteiros de obras de Campinas neste ano já é três vezes maior do que no ano passado, segundo dados do sindicato que representa os trabalhadores do setor. Em 2012, foram contabilizadas quatro mortes e neste ano o número saltou para 12. O último registro aconteceu nesta segunda-feira quando um operário despencou do 14º andar de um prédio em construção. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Campinas e região, Francisco Aparecido da Silva, afirma que a elevação do número de acidentes na região está relacionada a falta de treinamento e qualificação dos trabalhadores e também a exigência das construtoras em relação ao prazo de entrega das obras.
O Diretor da regional Campinas do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Marcio Benzenutti, também acredita que a pressão pelo cumprimento de prazos fez com que o índice de acidentes crescesse em toda região. Ele lamenta o fato do número de acidentes ter triplicado em Campinas, mas ressalta a importância da construção civil no município, já que o número de empregos no setor cresceu 16% até outubro. No acidente desta segunda-feira, a vítima não tinha treinamento para trabalhar em altura. O Ajudante de eletricista Leandro Gomes dos Santos, que viu a queda do operário, afirmou que ele tirou o equipamento de proteção, medida, que segundo as normas de segurança da construção civil, jamais poderia ser adotada.
As obras de ampliação do aeroporto de Viracopos também registraram acidentes graves neste ano. Dois funcionários foram soterrados depois de um desabamento no dia 22 de março. Um deles não resistiu e morreu. No dia 30 de abril, 14 trabalhadores saíram feridos, após o rompimento da estrutura em que estavam. Em 24 de outubro, dois operários de uma empresa especializada em instalações elétricas caíram de um guindaste no momento em que faziam a substituição de lâmpadas em refletores que ficam em um estacionamento. Um dos trabalhadores também morreu.
