Um documento apresentado pelo Conselho Municipal de Saúde revelou que em setembro do ano passado, durante a segunda maior epidemia de dengue de Campinas até então, a administração municipal admitia a falta de profissionais e a dificuldade para aquisição de equipamentos de proteção individual. O motivo era o fim do convênio com o Serviço de Saúde Cândido Ferreira, já que grande parte do contingente trabalhava no programa de combate a doença. Segundo o relatório, chamado de Plano de Contingenciamento da Dengue, naquela ocasião, a cidade tinha 47% dos agentes necessários. Mas o que chama a atenção no documento é a falta de materiais.
No momento em que Campinas enfrentava uma das piores epidemias da história, o município não tinha Equipamentos de Proteção Individual para que funcionários fizessem o trabalho de nebulização. Em setembro do ano passado, a vigilância em saúde relatava que tinha encaminhado o contrato de locação de conjunto de aplicação de inseticida. Na ocasião, com 6 mil e 600 casos, a secretaria de saúde encaminhava a compra de larvicidas biológicos. De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Paulo Mariante, houve demora por parte da prefeitura em tomar providências no ano passado que poderiam ter impacto significativo na atual epidemia de dengue.
O secretário de saúde de Campinas, Cármino de Sousa, reconhece que o poder público passou dificuldades com o fim do convênio com o Cândido Ferreira no ano passado. Mas ele garante que todas as providências para combater a dengue foram tomadas já naquela época. Campinas fechou 2013 com quase 7 mil casos de dengue e agora vive o pior momento com mais de 17 mil ocorrências.
